domingo, 23 de agosto de 2020
Queen e seus hits eternos
Albuns do Queen - o que ficou para a posteridade - by Denison Souza
Esses hits abaixo é que fizeram a carreira do Queen ao longo dos anos 70, 80 e 90. É o Queen 34 Essencials Hits
QUEEN 1
Apesar de ser um disco de estréia bom, recheado de músicas complexas, beirando o rock progressivo, é um disco que também tem músicas curtas e diretas, que poderiam entrar no hall de hits da banda. Mas, apenas Keep Yourself Alive, um rockão do Brian May, entrou na lista seleta de hits do Queen.
QUEEN 2
Apesar de ser um disco até superior ao anterior, não deixou hit da banda para a posteridade. As músicas ficaram datadas e foram abandonadas aos poucos nos shows do Queen. Mas, o disco, por si só, é muito bom.
SHEER HEART ATTACK
É um disco que tem qualidade técnica e artística até superior ao anterior, fez o Queen até conquistar a America do Norte. Ficaram mais maduros e mais sintéticos em suas viagens progressivas. Ficaram dois hits inapagáveis para a posteridade: Killer Queen e Now I m Here, a primeira de Mercury e a segunda de Brian May.
A NIGHT AT THE OPERA
Apesar do sucesso estrondoso do album, o melhor disco do Queen, ele tem apenas três hits que perduraram: dois de Freddie Mercury, Love of my Life e Bohemian Rhapsody, e uma música do baixista John Deacon, You re My Best Friend, que fez muito sucesso na America do Norte. Brian May perdeu espaço como compositor de hits neste album importante.
A DAY AT THE RACES
É um disco maravilhoso, muito maduro, qualidade excepcional, foram usados muitos mais ecos e canais que os anteriores. Tem canções maravilhosas de Brian May, como White Man e Teo Torriate, que não ficaram como hits. E apenas Mercury brilha neste disco, se firmando como compositor mais importante da banda, com dois hits eternos: Good Old Fashioned Lover Boy e Somebody to Love.
NEWS OF THE WORLD
Está entre os cinco melhores discos da banda. Lamentável que músicas belissimas como It,"Late, de Brian May, e a balada Spread Your Wings, de John Deacon, não vingaram. Uma pena! Mesmo assim, as duas músicas que perduraram, ficaram cravadas para sempre no coração da banda: We Will Rock You, de May, e We Are The Champions, de Mercury.
JAZZ
Jazz é um discaço. Gosto dele tanto quanto A Night at the Opera. Não é a toa que deixou três hits também, assim como A Night. Os hits são Fat Bottomed Girls, Bicycle Race e Dont Stop Me Now. Todas as canções, sucessos absoluto. Dominam aqui Brian e Mercury.
THE GAME
Esse é outro disco maravilhoso, cheio de músicas incríveis. Pena que músicas muito bem feitas artisticamente e produzidas com esmero, como Play The Game, Save Me e Sail Away Sweet Sister não perduraram como hits na banda. Apenas Another One Bites The Dust e Crazy Little Thing Called Love, duas músicas mais simples e fáceis, de Deacon e Mercury, perduraram como sucessos eternos do Queen. Isso demonstra que o gosto musical dos anos 80 mudou de perfil e buscava algo mais simples, talvez por influência do que o punk mostrou para o mundo, as pessoas estavam cansadas de músicas muito prolixas e longas demais. Mas, o que importa é que a banda não podia morrer de fome e estavam sabendo se reinventar, inclusive, fazendo hits simples, mas, no mesmo disco, contendo músicas mais complexas, mas, durações longas nas músicas deixou de existir.
FLASH GORDON
Não deixou hit.
HOT SPACE
Maior fracasso do Queen, é verdade, apesar de umas boas músicas. Mas, o interessante é que o único hit desse disco não é uma música simples ou fácil. Under Pressure é uma canção - diria até - uma experiência musical entre o Queen e David Bowie, que perdura até hoje.
THE WORKS
A partir daqui o Queen se encontra. Faz um album equilibrado e honesto, conseguindo ampliar seus fãs, como fez com A Night at the Opera. Consegue compor belas baladas, bons rocks pesados e música complexa sem ficar chato, em plenos anos 80. A partir daqui a banda produzirá no mínimo quatro hits por disco. The Works tem quatro hits eternos do Queen:
Its a Hard Life, Radio Gaga, Hammer to Fall e I Want to Break Free. Aqui, pela primeira vez, todos os integrantes conseguem escrever hits num album só, que ficariam cravadas na história da banda.
A KIND OF MAGIC
Este disco maduro do Queen também tem quatro sucessos eternos da banda. Parece que o Queen aprendeu a escrever bons hits que agradadou naturalmente a um leque maior de fãs. One Vision, A Kind of Magic, Friend Will Be Friends e Who Wants to Live Forever estão para sempre como hits que simbolizam a banda inglesa. Isso revela que, assim como os Beatles, o Queen soube se reinventar e, depois de experimentar de tudo, atingiu uma maturidade de fazer músicas com uma certa clareza, sem serem obras simples, como em The Game. O hits desses discos do Queen da última fase revelam um Queen antenado com seu tempo, sem trair sua identidade, como fez em Hot Space e The Game.
THE MIRACLE
The Miracle e Innuendo são os discos com mais hits do Queen. São cinco, no total: The Miracle, I Want at All, The Invisible Man, Scaldal e Breakthru são sucessos absolutos da banda nesse disco.
INNUENDO
O disco que fecha a carreira da banda é uma bela despedida, recheada de sucessos eternos:
I am Going Slightly Mad, Headlong, Innuendo, Dont Try So Hard e The Show Must Go On. São cinco sucessos no total num disco só.
por Denison Souza
segunda-feira, 22 de junho de 2020
Melhores obras de Mozart por Denison Souza
Porque são dozes os apóstolos, as doze obras mais impressionantes estão marcadas com um *****
Orquestral:
Sinfonias:
* Apesar de não ser uma obra prima e nem ser madura, é uma das minhas sinfonias prediletas, com sua energia inesgotável.
Symphony No. 25 in G minor, K. 183/173dB (1773)
* Essas sinfonias maduras são as melhores escritas por Mozart, somente superadas pela última triade sinfônica de 1788.
Symphony No. 31 in D major, "Paris", K. 297/300a (1778)
Symphony No. 35 in D major, "Haffner", K. 385 (1782)
Symphony No. 36 in C major, "Linz", K. 425 (1783)
Symphony No. 38 in D major, "Prague", K. 504 (1786)
* As três sinfonias finais (Nos. 39–41) foram concluídas em cerca de três meses em 1788.
São suas obras primas absolutas no gênero, logo abaixo.
Symphony No. 39 in E♭ major, K. 543 (1788)
***** Symphony No. 40 in G minor, K. 550 (1788)
Symphony No. 41 in C major, "Jupiter", K. 551 (1788)
Concertos:
* Dos concertos para piano, considero essas cinco obras abaixo, as definitivas.
Piano Concerto No. 20 in D minor, K. 466
Piano Concerto No. 21 in C major, K. 467
Piano Concerto No. 22 in E♭ major, K. 482
Piano Concerto No. 23 in A major, K. 488
***** Piano Concerto No. 24 in C minor, K. 491
* Mozart compôs concertos para todo tipo de instrumento; depois do piano, só vejo uma verdadeira obra prima apenas em seu concerto para Clarineta (abaixo). Não consigo ver muito valor em seus outros concertos, inclusive envolvendo trompa, flauta ou violino, exceto suas sinfonias concertantes.
Clarineta Concerto in A major, K. 622 (1791)
*essa sinfonia concertante abaixo é uma das dez obras mozartianas que eu mais admiro.
***** Sinfonia Concertante for Violin, Viola and Orchestra in E♭ major, K. 364 (1779)
Sinfonia Concertante for Oboe, Clarinet, Horn, Bassoon and Orchestra in E♭ major, K. 297b
Serenatas:
* Mozart é famosos pelos seus concertos para piano e óperas, mas tambem pelas suas serenatas. A sua música mais conhecida é uma Serenata. Eu gosto dessas quatro.
Essas duas abaixo são belíssimas.
Serenade No. 7 in D major, "Haffner", K. 250/248b (1776)
Serenade No. 9 in D major, "Posthorn", K. 320 (1779)
* O adagio dessa serenata abaixo é uma das obras primas de Mozart na escrita para instrumentos de sopro. Considero uma das músicas mais marcantes do mestre.
Serenade No. 10 for twelve winds and double bass in B♭ major, "Gran Partita", K. 361/370a (1781)
* Essa serenata abaixo é simplesmente a melodia mais conhecida de Mozart. Uma obra prima madura!
***** Serenade No. 13 for string quartet and bass in G major, "Eine kleine Nachtmusik", K. 525 (1787)
Cantado:
Óperas:
* Tenho predileção pelas óperas sérias de Mozart: Idomeneo e La Clemenza di Tito. Mas, como todo mundo, fico fascinado pela beleza de suas óperas não sérias, liastadas abaixo as que mais aprecio.
Idomeneo, K. 366 (1781)
Die Entführung aus dem Serail, K. 384 (1782)
Le nozze di Figaro, K. 492 (1786)
***** Don Giovanni, K. 527 (1787)
Così fan tutte, K. 588 (1789)
Die Zauberflöte, K. 620 (1791)
La clemenza di Tito, K. 621 (1791)
Obra Sacra:
Coronation Mass, K. 317 (1779)
Missa solemnis, Missa aulica, K. 337 (1780)
***** Great Mass in C minor, K. 427 (1782–3; unfinished)
Requiem Mass in D minor, K. 626 (1791; unfinished)
Música de câmara:
Sonatas para violino e piano:
* As sonatas para violino e piano é um dos gêneros que mais gosto no mestre de Salzburgo. Mozart compôs, depois de algumas criações juvenis, vinte sonatas para violino e piano, de forma madura; a de numero 18 é belissima e a de numero 35 é uma obra prima das mais monumentais, e dessas vinte, eu gosto dessas nove abaixo. Verdadeiras obras primas de rara beleza.
Violin Sonata No. 18 in G major, K. 301 (1778)
Violin Sonata No. 21 in E minor, K. 304 (1778)
Violin Sonata No. 25 in F major, K. 377 (1781)
Violin Sonata No. 26 in B♭ major, K. 378 (1779)
Violin Sonata No. 27 in G major, K. 379 (1781)
Violin Sonata No. 32 in B♭ major, K. 454 (1784)
Violin Sonata No. 33 in E♭ major, K. 481 (1785)
***** Violin Sonata No. 35 in A major, K. 526 (1787)
Violin Sonata No. 36 in F major, K. 547 (1788)
Piano Sonatas:
* Nunca fui muito fã das sonatas para piano de Mozart, fã incondicional das sonatas de Beethoven que sou, mas, essas três me agradam muito.
Piano Sonata No. 8 in A minor, K 310/300d (Paris 1778)
Piano Sonata No. 11 in A major, K 331/300i ("alla turca" 1783)
Piano Sonata No. 18 in D major, K 576 (Vienna 1789)
Quartetos para cordas:
* Mozart compôs os quartetos Milaneses K. 155–160 até 1773, logo em seguida, Mozart compôs os mais desenvolvidos quartetos Vienenses, depois de ouvir os quartetos de Haydn, e pára de compor em 1777. Nos anos 1780s, Mozart voltou a compor quartetos e compôs os quartetos Haydn, que se tornaram, junto com os quartetos do mestre Haydn, o pináculo do gênero até então. O de número 15 é uma obra prima que chama a atenção. O quarteto Dissonance também se destaca. Eu adoro todos eles.
Depois Mozart compôs seus três quartetos Prussianos. Todos eles, sem exceção, estão aqui presente nessa lista essencial.
Haydn Quartets
String Quartet No. 14 in G major, "Spring", K. 387 (1782)
String Quartet No. 15 in D minor, K. 421/417b (1783)
String Quartet No. 16 in E♭ major, K. 428/421b (1783)
String Quartet No. 17 in B♭ major, "Hunt", K. 458 (1784)
String Quartet No. 18 in A major, K. 464 (1785)
***** String Quartet No. 19 in C major, "Dissonance", K. 465 (1785)
String Quartet No. 20 in D major, "Hoffmeister", K. 499 (1786)
Prussianos Quartets
* Os últimos três quartetos de Mozart, dedicados ao rei da Prússia, Friedrich Wilhelm II, destacam-se pelo caráter cantabile das partes do violoncelo (o instrumento tocado pelo próprio rei), a doçura dos sons e o equilíbrio entre os diferentes instrumentos.
String Quartet No. 21 in D major, K. 575 (1789)
String Quartet No. 22 in B♭ major, K. 589 (1790)
String Quartet No. 23 in F major, K. 590 (1790)
Quintetos para cordas:
*Os seis quintetos de Mozart, na minha opinião, é o melhor que Mozart já compôs, sem tirar nem pôr, todos formam um conjunto indissolúvel.
String Quintet No. 1 in B♭ major, K. 174 (1773)
String Quintet No. 2 in C minor, K. 406 (1787)
String Quintet No. 3 in C major, K. 515 (1787)
***** String Quintet No. 4 in G minor, K. 516 (1787)
String Quintet No. 5 in D major, K. 593 (1790)
String Quintet No. 6 in E♭ major, K. 614 (1791)
Piano Trios:
* Os seis piano trios de Mozart não tem a seriedade dos quartetos e quintetos; foram escritos com ´piano facilitado e cello apenas como base para o violino solar. Os dois primeiros trios são muito bonitos e galantes. Nos últimos quatro piano trio Mozart deu mais de si nas composições. Gosto dos quatro últimos por isso.
Piano Trio No. 3 – Trio in B♭ major for Piano, Violin and Violoncello, K. 502 (1786)
Piano Trio No. 4 – Trio in E major for Piano, Violin and Violoncello, K. 542 (1788)
Piano Trio No. 5 – Trio in C major for Piano, Violin and Violoncello, K. 548 (1788)
Piano Trio No. 6 – Trio in G major for Piano, Violin and Violoncello, K. 564 (1788)
Divertimento:
* O Trio mais respeitado de Mozart não tem piano. Esse Trio abaixo é umas das dez obras mais espetaculares do mestre.
***** Divertimento para trio de cordas in E♭ major, K. 563 (1788)
Outras obras de câmara:
* Esse quarteto abaixo é uma das jóias para o oboé; uma obra prima de Mozart.
Oboe Quartet (oboe, violin, viola, cello) in F major, K. 370 (1781)
* Beethoven não tinha a capacidade de criar música excelente de câmara com sopro, apenas conseguia fazer uma boa música. Excelente era Mozart. E esse quinteto é uma das maiores obras primas usando instrumento de sopro que há.
***** Quintet for Piano and Winds (oboe, clarinet, horn, bassoon), K. 452/Anh.54 (1784)
* Música para Trompa nunca soa muito séria. Mas, assim como gosto da sonata para trompa de Beethoven e gosto da de Brahms, dou valor a esse quinteto abaixo de Mozart. Não chega ao nível do quinteto com clarineta, mas, deixe ele ai.
Horn Quintet (horn, violin, viola, viola, cello) in E♭, K. 407
* Os piano quartetos de Mozart abaixo são mais sérios e concertantes que seus piano trios - e só tem dois - então, são dois diamantes raros.
Piano Quartet No. 1 in G minor, K. 478
Piano Quartet No. 2 in E♭ major, K. 493
* As obras de câmara e concertante de Mozart envolvendo a clarineta são sempre as melhores. E essas duas obras abaixo estão entre as jóias do repertorio mundial.
Trio for Clarinet, Viola and Piano in E♭ major, "Kegelstatt", K. 498
***** Clarinet Quintet in A major, K. 581
* Essa obra abaixo, dificil, estranha, complexa, nem parece Mozart, é a Grosse Fugue de Mozart. Maravilha das criações do mestre de Salzburgo.
Adagio and Fugue in C minor, K. 546
sábado, 23 de maio de 2020
Star Wars - A Ascenção Skywalker - RESENHA por Denison Souza
Star Wars - A Ascenção Skywalker - resenha by Denison Souza 2020
Ascensão skywalker
Um filme épico, de fato, grandioso! A Família Skywalker teve um final digno e grandioso como era esperado por todos os fãs da saga. O filme, de fato, é lindo e emocionante! E leva à perfeição todos os designs de filmes anteriores.
O primeiro minuto do filme nos prende com surpresa. StarFighters aparecem ameaçadores em direção ao cruzado The Incinerator, da Primeira Ordem, e o planeta lendário Mustafar, planeta do Lord Sith Darth Vader, onde Kylo Ren luta com guerreiros nativos afim de conseguir a bússola para saber onde Palpatine está: um dos localizadores Sith. Logo de cara ficamos sabendo que Palpatine está de volta! Esse começo é de uma delicadeza cinematográfica notável!
Depois de grande batalha em Mustafar, Kylo Ren vai ate Exegol, em regiões desconhecidas, para aniquilar Palpatine, pois não quer concorrência. Mas Palpatine o convence a ficar com ele, mostrando um poder bélico extraordinario. A maior frota que a galáxia já viu. Contanto que eliminasse os Jedi e eliminasse Rey. Kylo Ren Topa! Não preciso dizer que ter Palpatine como vilão é muito mais gratificante do que o fantoche dele: Snoke!
Depois dessa cena, o filme parte para a Millenium Falcon. R2D2 está com Poe e Finn na Falcon. Numa cena de fuga, Poe faz manobras inéditas com a velha nave, entrando na velocidade da luz várias vezes seguidas, manobra que Poe chama de salto múltiplo. Essa manobra é algo novo em Star Wars e deixa as manobras do passado parecerem algo muito mais simples.
Logo em seguida vemos Rey treinando com Leia numa floresta sossegada, onde fica a nova base da Resistência: o planeta Ajan Kloss. Esse início do filme é uma entrada monumental de cada personagem principal. E, em todo momento, no filme, Kylo Ren entra em contato com sua diade: Rey. Nesse filme nos é apresentado a novidade de que eles formam uma díade poderosa.
A resistência fica sabendo que Palpatine está de volta e escondido. Os três, Poe, Finn e Rey se reencontram e ficam juntos na missão de conseguir o localizador Sith. Aliás, em Rise, a aventura une Rey, Finn e Poe como em nenhum outro filme. O interessante é que, pela primeira vez, vemos um Jedi consultando, nos filmes, escrituras Jedi. Rey pesquisa nas escrituras Rammahgon e Aionomicum, que são livros sagrados que estavam perdidos há anos e foram encontrados por Luke Skywalker em suas expedições pelas ruinas de Ossus. Inclusive com ilustrações do próprio Mestre Luke. Esses elementos novos, reforçam a ligação entre Rey e os Jedi.
Rey iria sozinha procurar o localizador Sith, no planeta deserto de Pasaana, mas Poe e Finn não deixam ela ir só. Finn chama Rose também, mas, Rose não pode ir, pois a General Leia deu uma missão local para ela: Estudar os Destroiers antigos para deter a frota, quando houver um ataque.
A primeira emoção do filme começa aqui. C3PO vai com eles e se despede do amigo R2D2 dizendo que ele é seu maior amigo. E Rey se despede de Leia como se não fosse retornar. O filme explode em emoção e lágrimas. É uma despedida da saga Skywalker, afinal de contas. A trilha sonora nunca esteve mais espetacular. É o melhor disco da saga.
No deserto do planeta Pasaana, O povo Aki-Aki comemoram o Festival dos antepassados e Rey se emociona com as crianças Aki-Aki, sobretudo Gustyin Tatam e Kazza-Ki-Sagree. Essa festa é o momento "Cantina" do filme, que sempre tem em todos os filmes, onde vários figurantes espetaculares são mostrados no mesmo lugar, figuras estranhas e dançarinas. Depois do momento "cantina" ter sido elaborado dentro de um cassino luxuoso, em Canto Bight, no filme Last Jedi, achei que a idéia do festival foi simplesmente genial.
O filme não tem espaço para historinhas de amor e amizades profundas. Poe, Finn e Rey permanecem mais juntos no capítulo final desta saga. O romance sobrenatural entre Rey e Kylo Ren é simplesmente espetacular e unico. Nunca visto antes em Star Wars.
Neste lugar os heróis descobrem que os stormtrooppers agora podem voar!
Lando Calrissian reaparece como amigo e herói para ajudar os novos mocinhos. A presença espirituosa e humorada de Lando é simplesmente fantástica e um eficiente fanservice. Ele está mais espontâneo e alegre que Han Solo nessa nova trilogia. Perceba a beleza do design do capacete de Lando, antes de revelar seu rosto. Incrível!
Essa aventura no deserto, inclusive, é a aventura mais longa do filme, mesmo a batalha final é menor, entretanto, o final é mais espetacular, como tinha de ser.
Tem algo que me chama muita atenção aqui: Nesse deserto, onde eles encontram a lâmina que decifra o local secreto dos Sith, aparece uma serpente enorme. Ao contrário de outros Jedi que, estando na frente de um monstro não pensavam duas vezes, matavam imediatamente, Rey prova que é maior que todos os Jedi; ela cura a ferida da serpente e conquista o monstro. Isso revela a sua superioridade.
Em seguida, descobrindo que só irão conseguir decifrar a lâmina se o droide C3PO puder se tornar um droide Sith por um momento, eles partem atrás de Babu Frik no planeta Kijimi, um planeta cheio de piratas e traficantes de especiarias, que vive em repressão da Primeira Ordem. Eu confesso que quando vi C3PO com os olhos vermelhos e falando com voz malvada, eu pensei: essa figura de ação de C3PO com os olhos vernelhos e falando Sith seria uma raridade que eu deveria ir atrás, quando surgir. Essa figura de ação eu quero! Francamente, George Lucas nunca teria pensado em algo tão espetacular e maravilhoso. Eu amei isso no filme, já que em Rogue One temos um droide do Império reprogramado para ajudar a Aliança Rebelde. Mas um dróide Sith, que sacada genial! George Lucas ajudou em alguns palpites neste filme, mas com certeza não envolveu C3PO. Nesse planeta, Poe reencontra uma amiga do passado: Zorii Bliss! Ela tem um visual meio mandaloriano, mais afilado e simplesmente impressionante! Adorei esse design e figurino, que supera, e muito, os cavaleiros jóqueis dos Fathiers de Canto Bight, em Last Jedi. Não tem nada que eu não goste nesse filme, amei Babu Frik, todas as armas, amei Zorii Bliss e as tecnologias desenvolvidas. Tem uma cena que me chamou a atenção: Rey sobe na nave de Kylon Ren e Kylo desce no planeta onde Rey estava. Eles lutam a distância, ela nos aposentos dele e ele embaixo no planeta dos piratas e traficantes de especiarias. Essa luta foi a mais impressionante e sobrenatural que já houve! Igualando a luta de Luke com Kylo Ren em The Last Jedi. Prova de que os criadores de Star Wars estão a toda prova, superando tudo que já foi feito no passado.
Uma cena emocionante é quando Leia reflete sobre as perdas recentes de pessoas queridas, olhando para a medalha de honra de Han Solo, antes de vir a falecer.
Em termos de tecnologia, no filme Rise, as novidades são mais que em Force Awaken e Last Jedi; o que mais me chamou a atenção foram as novas naves da resistência: A Wing (essa é nova!), e as X Wings verdes camufladas, de nome T-70 X Wing (a melhor X Wing já criada, belissima, eu queria tanto uma miniatura). Os Speeders dos stormstroopers nunca esteve tão elaborados. O Tie Dagger, que aparece neste filme, é o Tie mais lindo e sintético que já foi criado na saga. Os Skimmers de Pasaana onde os heróis fogem no deserto, as mochilas que fazem os storms voarem, tudo é novidade tecnológica. As Naves Ochi é uma novidade surpreendente. É aquela nave que Rey e Kylo ficam disputando com a Força, onde Rey acha que Chewie estava quando explode! O design dessa nave demonstra que os criadores da Lucasfilm nunca exageram em suas criações, sempre primam pelo equilibrio e minimalismo. No Planeta dos traficantes de especiarias surge uma inovação tecnológica incrível: o Andador UA-TT. Simplesmente esses novos obscurecem os antigos Andadores de outros filmes e até mesmo o que apárece na serie Mandalorian, tão amado pelos fãs da Saga. Tem os Sith Star Destroyers, que explodem planetas, formando uma frota de estrelas da morte.
Tem também os speeders para navegar nos oceanos da Lua de Endor, chamados de Sea Skiff, que Rey usa para ir até a ruina da segunda estrela da morte, que são desengonçados e nos faz lembrar dos speeders em frangalhos da última batalha no planeta Crait, de The Last Jedi, planeta onde a neve cobre um sal vermelho, lembra?
Em termos de dróides, além do tradicional R2D2 (única testemunha do momento exato da morte de Leia) e C3PO, temos o já conhecido BB8. A novidade em termos de dróide é D-O, um dróide tão simples e minimalista quanto BB8. Só tem dois módulos como BBB8 e é ainda menor que BB8.
Nesse filme os simbolos Sith são humilhados e derrubados, pouco a pouco. A reliquia do Lord Sith, sua mascara carbonizada, é jogada no chão, sem respeito, o eterno culto Sith de Palpatine e sua frota são destruidos e ele aniquilado pelos seus próprios raios, Kylo Ren larga a máscara, joga fora seu sabre de luz no oceano e deixa de ser Sith.
A Primeira Ordem está repaginada. Kylo Ren ainda está como Lider Supremo, mas General Hux vai perdendo espaço na trilogia, com o aparecimento do General Pryde, que mata Hux! General Pryde é o melhor oficial da Trilogia, no estilo Tarkin, é mais sério e decide rápido, sendo totalmente dedicado à Palpatine, assim como o Grande Tarkin.
Coisas marcantes deste último filme da Saga Skywalker: Ver Kylo Ren caminhando com seu séquito atrás, os cavaleiros de Ren, simplesmente é impagável. Kylo Ren reconstroi sua mascara. Passa a caminhar mais com seus cavaleiros. Os cavaleiros de Ren.
Rey e Kylo Ren estão mais poderosos do que nunca, superando outros Jedi e Sith da saga. Mas a evolução vai além dos poderes. Seus questionamentos pessoais, suas perspectivas de vida e sua ligação com a Força estão mais sólidas, o roteiro foi escrito com bastante cuidado, fazendo com que o desfecho de ambos os personagens, acabem por criar novas lendas.
No filme, temos o grande questionamento sobre quem é Rey, o que ela representa, seria ela uma nova esperança para a galáxia, ou quem sabe uma nova ameaça fantasma? Inclusive amei ter visto Rey de Sith. Ficou linda!
Mas também temos o questionamento de Ben Solo. O tempo todo não sabemos se eles vão para um lado ou para o outro. Essa ameaça sobre Rey e Kylo Ren está sempre presente, nesse capitulo, mais ainda em Rey. Ao contrário de Luke, ela se mostra dividida até o último momento. Sempre temos dúvidas se ela vai ceder.
No final, uma enchente de fanservice, Leia jovem lutando com Luke (chorei nessa cena), Rey usando a T-65 X wing de Luke (tenho a miniatura), Han Solo retornando para perdoar o filho, fazendo uma piada com o velho: "Eu sei", o retorno de várias vozes de personagens antigos, tudo era pura emoção.
Há pouca participação de Leia neste último capítulo, mesmo assim fica claro que o arco de Leia em toda trilogia Disney foi mais digno e honroso que o de Luke; Leia não deixou, nem por um momento, de lutar pela volta da República na Galáxia. Enquanto seu irmão se isolou, abandonando a causa.
Antes da batalha final, os nossos heróis, juntos de novo, vão até as luas de Endor, área da galáxia tão conhecida dos antigos fãs, onde houve a célebre batalha de Endor, onde a segunda Estrela da Morte havia sido destruida, Palpatine derrotado e Darth Vader morto, quando a Aliança Rebelde venceu e restaurou a Republica criando a Nova Republica. As ruina da segunda estrela da morte estava lá, no meio do oceano, mais precisamente na Lua Kef Bir, uma lua de oceanos de Endor. As emoções dentro da ruina são indescritiveis para os fãs da saga. Aquele ambiente conhecido, com a música de Darth Vader!
Nesta lua oceânica especial surge a personagem que mais amei deste filme: Jannah, uma ex stormtrooper, que fez um par mais equilibrado para Finn do que Rose Tico. Os Orbaks, que são cavalos com chifres de Jannah e seus conterrâneos, são os mais maravilhosos que já foram usados como transporte animal. Simplesmente amei a ideia de fantasiar cavalos de verdade. Ficou emocionante. O oficial da Primeira Ordem, Comandante Trach, quando vê eles usando cavalos (Orbaks) fala impressionado: "Eles não estão usando speeders", o que impede Pryde de pará-los. Simplesmente emocionante! Lindo ver Jannah com aquele cabelo black imenso em cima de seu cavalo. A arma de Jannah é um arco e flecha. Espetacular, não? Isso é Star Wars.
No final do filme, a ultima batalha se dá na distante Exegol. Inclusive é a primeira vez que um planeta é mostrado no começo e no final de um filme star wars com cenas importantes. Ai vemos os Sith Troopers vermelhos, simbolos maiores de Rise of Skywalker, com seu design perfeito, sintetizando os designs dos clássicos troopers e dos novos troopers. Sidon Ithano está de volta neste filme. Até os Ewoks. Rey não mata Palpatine. Ela usa os dois sabres de luz de Leia e Luke, formando um escudo em X para fazer retornar os raios do bruxo contra ele mesmo. O beijo entre Rey e Ben Solo sacramenta a união benéfica dos dois. O corpo de Ben Solo desaparece como o corpo de Obi Wan e Luke, revelando que morreu como um Jedi.
Na última cena do filme, Rey visita o planeta de Luke e se assume da linhagem Skywalker, num final leve e delicioso!
Enfim, todo o figurino leva nota 10, os cenários nota 10, as criaturas e dróids levam 10, os Sets levam 10, os veículos, as naves, os planetas, a história, as piadas, tudo 10. Esperei mais de 40 anos para esse desfecho. Sinto-me realizado!
Denison Souza 2020
quarta-feira, 15 de abril de 2020
FINALMENTE VI O ÚLTIMO FILME DE FELLINI - POR DENISON SOUZA
Ontem, finalmente, vi o ultimo filme do Fellini. O último filme que faltava ver dele e o último filme da carreira dele: A VOZ DA LUA. Quem ouve a voz da lua? os loucos, claro! Os criativos!
É um filme de 1990. E muito mais doido que Satyricon ou Casanova, mas, em um mundo conturbado, com tanta coisa séria e desagradável, que vivemos, é sempre bom termos uma trégua com um filme de Fellini, sempre fantástico e poético.
A licença poética neste filme foi longe até demais. Aprisionam a Lua num depósito. Se antes Fellini tratava de pessoas normais, neste filme ele trata de pessoas saidas do manicômio, imagine a loucura! A narrativa é altamente desconexa. Eu achei um filme essencial de Fellini: A Voz da Lua.
A Doce Vida continua sendo seu filme mais impressionante, para mim. E o mais icônico!
8 e meio continua sendo seu segundo melhor filme, para mim.
Eu elegi La Nave Va seu terceiro melhor filme.
Depois, um clássico essencial, Amarcord!
Em seguida vem Ensaio de Orquestra.
Depois, em ordem de preferência, do melhor pro que menos gosto:
Noites de Cabiria e Julieta dos Espiritos (esses dois filmes são os melhores com sua esposa como atriz), depois vem Satyricon, Casanova, Abismo de um Sonho, A Trapaça, A Voz da Lua e Cidade das Mulheres. Sim, é isso mesmo, achei A Voz da Lua superior a Cidade das Mulheres. Não é um dos dez melhores filmes de Fellini. Mas fica em 12o lugar!
Sim, achei A Voz da Lua melhor que filmes que gosto menos do mestre italiano, como, por exemplo, Bocaccio, La Strada, Os Boa Vidas, Os Palhaços, Roma de Fellini, Ginger e Fred, Mulheres e Luzes, Amores na Cidade, Entrevista e Historias Extraordinárias.
DENISON SOUZA
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
MELHORES DISCOS DO SUPERTRAMP
SUPERTRAMP
Formado na Inglaterra, no ano de 1969 pelo pianista e vocalista Rick Davies, o Supertramp conquistou o mundo na década de 70 com um pop progressivo de alta qualidade (todo disco deles contém uma obra prima progressiva não pop) embalado por grandes clássicos que até hoje tocam nas rádios, e com uma das formações mais emblemáticas do mundo da música. Vejamos seus maiores quatro albuns na ordem de lançamento:
Crime of the Century (1974)
Para muitos fãs tradicionais, este é o melhor album da banda, mas na verdade, esse é apenas o quarto melhor disco da banda. Depois de um começo muito progressivo, com dois albuns anteriores sem sucessos evidentes, a partir daqui, os britânicos Supertramp encontram a fórmula do sucesso, e conseguem misturar sua linguagem progressiva com o pop, passando a ter a mais importante característica do grupo: a divisão dos vocais. Destaque para a leve “Asylum”, com a presença do piano elétrico em evidência, o jazz “Bloody Well Right”, Hodgson emociona através de “Hide in Your Shell”, tem “If Everyone Is Listening”, o clássico “School”, faixa que abre o disco de forma estonteante e brilhante mesmo, através de um riff de harmônica que talvez seja o mais conhecido desse instrumento, e que rapidamente tornou-se essencial em todos os shows da banda a partir de então. E deixou para a história musical o primeiro grande sucesso do grupo, “Dreamer” e a sensacional “Rudy”, que é a Obra Prima Progressiva não pop do álbum, com Davies fazendo misérias ao piano, Helliweel dando uma contribuição incrível com o saxofone, Hodgson estraçalhando com a guitarra e um duelo vocal Hodgson/Davies de tirar o fôlego.
Even in the Quietest Moments … (1977)
O album é todo bom, é o terceiro melhor da banda, um espetáculo de obra prima da Humanidade! Mas, por incrível que pareça, o ápice do LP vai para seu lado B, o melhor lado B de todos os tempos, começando por “Babaji”, emotiva canção cantada por Hodgson e com Helliwell marcando presença em seu solo de sax. Depois, temos “From Now On”, super balada comandada por Davies ao piano e voz, com um encerramento em crescendo fascinante, e o saxofone de Helliwell novamente sendo grande atração. Por fim, a melhor canção dos britânicos Supertramp, de todos os tempos, a mini-suíte “Fool’s Overture”, a obra prima progressiva não pop do disco, uma faixa espetacular, onde o quinteto faz valer sua criatividade de composição, entregando algo complexo, admirável, inesquecível e responsável por fazer com que muitos críticos e jornalistas classificassem a banda como progressiva, já que ela realmente é uma Obra Prima Progressiva. Nela ouvimos o mesmo trecho da fala de Churchill, que ouvimos no album Powerslave do Iron Maiden nos anos 80.
A importância de “Fool’s Overture” é tamanha para o álbum que a capa de Even in the Quietest Moments … destaca um Grand Piano na neve, com a partitura da canção. O disco foi o primeiro LP do grupo a conquistar ouro na América e foi primeiro em vendas na Alemanha e Canadá, ampliando o nome do grupo por toda a Europa e America.
Breakfast in America (1979)
Aqui finalmente o Supertramp entra no Hall das Grandes Bandas de Todos os Tempos, e se entrega ao mundo Pop, consolidando o som próprio da banda. Platina quádrupla nos Estados Unidos, é até hoje o álbum mais bem sucedido da banda, tendo vendido mais de 20 milhões de cópias. Só as clássicas “Goodbye Stranger”, “Take the Long Way Home”, “The Logical Song”, e a faixa-título já fazem o álbum merecer os grandes números que atingiu, pois se tornaram singles de muito sucesso. Escondida nos sulcos de um disco praticamente perfeito, a obra-prima “Child of Vision” é a última faixa e, como acontece no disco anterior, é uma perfeita faixa progressiva não pop, disparada a melhor música do LP, cantada por Hodgson e Davies e com um longo trecho instrumental onde o solo de piano de Davies é de se aplaudir em pé. O sax se torna um instrumento mais marcante na banda e a Asia é completamente conquistada.
…Famous Last Words… (1982)
Marca a última participação de Hodgson. Musicalmente, é o melhor disco da banda, não em termos de venda. O disco é o mais satisfatório e perfeito do Supertramp. Um disco rico de músicas longas de mais de seis minutos. Davies força o retorno do progressivo no som da banda, depois de uma fase pop que funcionou. “Crazy” abre os trabalhos com a entrada mais segura da banda em todos os discos, uma interpretação magistral de Hodgson nos vocais. Fenomenal. Ele também emociona com sua voz, acompanhado apenas do violão de 12 cordas, nas belas “C’est le Bon” e “Know Who You Are”. Acima de todas, a melhor faixa do álbum, e uma das melhores do grupo, a estonteante pancada “Don’t Leave Me Now”, indescritível com palavras, e que em 6:35 minutos, faz estátuas chorarem de tristeza, tamanha dramaticidade vocal e crescendo musical criado pela banda, solos lindos de guitarra que não perdem em nada para David Gilmour (que sola no proximo album da banda) e a harmônica servindo como um símbolo triste da despedida de Hodgson. É a última faixa e a obra prima progressiva não pop do album.
O piano Wurlitzer e a harmônica são as atrações da quase gospel “Put On Your Old Brown Shoes”, cantada por Davies, que também é responsável pela suave “Bonnie”, ao piano, que é a sua balada mais bela e bem construida, com um trecho instrumental no miolo bem marcante e impressionantemente lindo, chega dói, e, pasmem! tem outra obra progressiva não pop no album, o progressivo “Waiting So Long”, outra bela faixa, que sofre uma mudança de ritmo surpreendente ao longo de seus quase sete minutos (e que solo de guitarra feito por Hodgson!) e, pra aliviar um disco tão progressivo, uma faixa que é pop puro, a história de amor de “It’s Raining Again“, a faixa mais pop do Supertramp, comanda pelo saxofone, e que fez a banda fazer sucesso aqui no Brasil.
Brother Where You Bound (1985)
Com a saída de Hodgson, o Supertramp crava o pé na estrada progressiva que era o desejo de Davies, e criam um disco excelente, apesar de muitos ainda torcerem o nariz para Brother Where You Bound até hoje. O album chega a ser o quinto melhor da banda, depois, de Crime of the Century e Davies é o nome do disco. A sinistra “No Inbetween”, com boa presença do saxofone, e a linda “Ever Open Door”, cuja interpretação vocal e técnica ao piano são de emocionar, são alguns de seus melhores trabalhos em toda a carreira.
Para quem busca lembranças de Breakfast in America, aconselho ouvir direto “Still In Love”, essencialmente pelas vocalizações e o saxofone. Temos apenas uma música pop que virou hit, “Cannonball”, faixa dançante, misturando elementos de jazz e pop. O grande destaque fica para a participação de David Gilmour, fazendo os solos da sensacional faixa-título e ainda hoje, é a minha obra prima progressiva não pop favorita da banda, sendo com certeza a melhor canção do Supertramp pós-Hodgson. A faixa havia sido composta na época de … Famous Last Words …, com dez minutos de duração, mas acabou sendo abortada, em virtude de Hodgson querer afastar-se das tendências progressivas. Foi reconstruída três anos depois, baseada no livro 1984 (George Orwell) e retratando a crise da Guerra Fria, e com mais de dezesseis minutos de duração (a maior faixa da banda) ocupa boa parte do lado B. A participação de Gilmour é brilhante! O guitarrista Scott Gorham (Thin Lizzy) é o responsável pela guitarra base nessa suíte, que por si só já vale a aquisição de Brother Where You Bound.
Depois deste disco, veio Free As A Bird [1987], um album fraco, porque tenta grudar na tendencia eletrônica e inclui muita percussão. Não ficou bom pra banda.
Some Things Never Change [1997] é um album que a banda consegue seguir bem sem Hodgson e retornar às suas origens como banda pop progressiva, no estilo anos 80, mas, sem conseguir mais os hits maravilhosos dos 80. E a época também já era outra. O som do Supertramp já não combinava com o mercado. E Slow Motion [2002] tenta ser saudosista, resgatando, pior ainda, os anos 70, o que não funcionou. Mas são dois discos bons para fãs tradicionais.
RESENHA CIDADÃO KANE POR DENISON SOUZA
Por que este filme é tão valorizado? Primeiro, a trilha sonora do iniciante Bernard Herrmann é encaixadissima e revolucionária. Hermann depois viria a ficar famoso por fazer as trilhas sonoras do Alfred Hithcock, como Um Corpo que Cai e o célebre Psicose. Os primeiros minutos do filme é uma obra prima primorosa dentro de outra obra prima maior, onde a trilha sonora é anexada as imagens de uma forma nunca antes vista no cinema.
O fato de Orson Welles estar com pouco mais de 20 anos e produzir, escrever o roteiro, atuar como ator principal e dirigir o filme, já revela uma genialidade por trás disso. E, pior, é o filme de estréia do diretor, que usou atores de teatro, desconhecidos da telona.
O filme ser visto hoje pelos maiores e mais importantes críticos de cinema como o maior já feito, diz algo profundo. A fotografia é genial. Acho que é a parte mais revolucionária, além da narrativa não linear, nunca antes usada no cinema.
So ganhou o oscar de melhor roteiro original, mas teve 9 indicações ao Oscar. Você ouviu bem??? o diretor tinha pouco mais de 20 anos e recebeu nove, eu disse noveeeee indicações nas categorias: filme, diretor, ator, direção de arte, fotografia, trilha-sonora, roteiro, som e montagem.
Realmente isso é demais! Um dos filmes mais comentados de todos os tempos. É considerado umas das obras primas do cinema. Foi arrecadado pelo filme, míseros 839 mil dolares, enquanto foram gastos mais de um milhão, em 1941, para fazê-lo.
Cidadão Kane é um filme com características de épico, e estava pelo menos 30 anos a frente do seu tempo em todos os aspectos! Quer que eu repita????? EM TODOS OS ASPECTOS! Vamos começar pela espetacular fotografia de Gregg Toland, que para mim é uma das top 5 melhores fotografia do cinema, todos os ângulos de câmera, as metáforas, a edição de Robert Wise, os planos fechados, o uso da luz natural e artificial, as montagens de cenários são algo inexplicáveis, não tem palavras que explique aquilo, o roteiro, que ganhou o oscar, de fato, é ótimo, usando flashbacks (algo novo na época) e ainda sem efeitos pra mostrar que era flasbeck e a linha do tempo a seu favor, tudo explorado de maneira magnifica, a trilha sonora é precisa, e as atuações são muito boas, principalmente a de Orson Welles que faz um trabalho magnifico, como diretor e ator, vale uma referencia as cenas “Pós credito” que explica que todos os atores são novatos, legal falar também que o nome do diretor de fotografia Gregg Toland é creditado ao lado de Orson, isso também é inovador. Nenhum filme, depois dos créditos tinha imagens; isso virou mania agora nos filmes, mostrar cenas deletadas ou cenas complementativas, depois dos créditos.
Cidadão Kane marcou a historia do cinema como conhecemos hoje e para quem for ver o filme hoje notará que a maioria das “coisas” são muito comuns hoje em dia e não entendera porque o filme é tão prestigiado, mas lembre-se que Cidadão Kane Inventou esse monte de “coisas”.
No roteiro, é relatado que a mudança na vida pacata de Foster Kane ocorre subitamente, quando sua mãe recebe como pagamento de um pensionista as escrituras de uma mina supostamente sem valor. Mas o fato era que a mina estava cheia de ouro e isso rende à família uma fortuna incalculável. Na verdade, Charles Foster Kane é uma criança que tem uma relação fértil com seus pais, sente livre e se diverte com seu velho trenó. Um dia, uma das maiores autoridades de Wall Street, Walter Parks Thatcher, visita Mary Kane, mãe do garoto, para tratar de sua pensão, que seria a mina Colorado. A firma de Thatcher foi contratada pela sra. Kane para também cuidar da recente fortuna de Charles. O jovem acabou tendo a sexta maior fortuna do mundo e foi criado por Walter. Kane, então, é tirado do convívio de seus pais e levado para ser educado por um grupo de empresários, que o moldam para a vida pública dos magnatas do poder. Cedo Kane compra um modesto jornal e passa a se tornar um jornalista implacável e impetuoso. Sua vida se torna recheada de jogos de interesse, luxo e fama. Em sua velhice, Kane manda construir para si uma enorme e esplendorosa mansão, batizada de Xanadu, em homenagem à mítica cidade asiática, conhecida por seus poetas como a capital do prazer. Em toda sua vida recheada de luxo, Kane é vazio, incompleto, porque ele perdeu sua vida. Ele lota sua vida material de coleções nostálgicas, sua mansão é um museu de seus desejos não realizados porque ele é vazio, e no fim tudo se perde. É lá que, isolado de tudo e de todos, morre, deixando para os personagens do filme o enigma de sua última palavra: Rosebud.
Ao final, Thompson, após a exaustiva investigação da vida de Kane através de entrevistas, se vê incapaz de descobrir o significado da palavra. Muita gente acha que o significado é apenas a marca de um trenó, mas, ha algo mais profundo nisso tudo, em termos literais, “Rosebud” se traduz em portugues assim: “Botão de Rosa”, e é uma referência poética clara ao órgão genital feminino do prazer: o clitóris. A anatomia da genitália feminina é freqüentemente associada à forma de um botão de rosa pelos poetas. Assim, “Rosebud” simboliza aquilo que há de mais íntimo, de mais misterioso, mais escondido, mais particular, mais encoberto. Neste sentido, o autor Orson Welles reservou a palavra “Rosebud” para associar poeticamente àquilo que o personagem possuía de mais íntimo, de mais particular. “Rosebud” era o seu lugarzinho especial de prazer, onde só ele podia tocar, era seu refúgio particular onde ninguém, em toda sua vida conturbada, tinha acesso. Portanto, quando Welles coloca a analogia “Rosebud” elegantemente em uma tela de cinema, em 1941, só por isso já é possível ter uma idéia da grandeza literária de sua obra.
Em Cidadão Kane, deste modo, Welles faz com que o espectador seja o grande privilegiado, porque só este descobre o verdadeiro sentido da vida de Kane, enquanto ninguém na trama jamais descobrirá. Isso também significa que é preciso estar fora da história para compreendê-la por completo. A vida só ganha sentido após a morte, mas não para os participantes da história, mas para o espectador, que é também o único a ser totalmente excluído da trama, e é por isso que ele está privilegiado. Aliás, quando o espectador assiste ao filme pela primeira vez ele ainda está participando da trama, em seu papel de espectador. Porém, o mistério só é revelado no final, quando a trama acaba, e o espectador só ganha o conhecimento quando o filme também já está consumado, junto com o personagem e seu segredo. Desse modo, o próprio filme, assim como o sentido da vida, só é revelado e só pode ser compreendido e refletido quando se está consumado.
O roteiro é muito bom, que Welles escreveu com a ajuda de um jornalista chamado Herman J. Mankiewicz, sendo que a fotografia é muito revolucionária. Os planos, a forma de filmar, os ângulos, a luz, as vezes natural, as vezes artificial. Os sets de filmagem, os ambientes também são revolucionários, basta lembrarmos do ambiente imenso onde Kane faz comicios. Tudo é novo nesse filme. Tudo é experimental!
Também na cena onde Kane aperta a mão de Hitler, os efeitos especiais se mostram muito além de seu tempo, imitado em Zelig por Woody Allen e em Forrest Gump por Robert Zemeckis.
A edição do filme foi feita pelo iniciante Robert Wise, que depois dirigiria grandes filmes como Amor Sublime Amor e A Noviça Rebelde. Era uma equipe, de fato, fascinante. E que ninguém conhecia. Tudo isso faz de Kane um filme especial!
Além do mais este filme trouxe reflexões e questionamentos que serão eternamente atuais e cuja qualidade técnica revolucionou e avançou o cinema proporcionando ou ao menos influenciando outras grandes obras, como por exemplo "E o Vento Levou". Além de toda inovação de roteiro e filmografia para o cinema, esse filme acima de tudo trata de uma busca interior de um estereótipo de homem que a sociedade normalmente vê como alguém que já tem tudo e é feliz, quando na verdade somos levados aos poucos a conhecer o que realmente foi ser feliz para ele, o que realmente faltou em sua vida...
O filme estabelece o tom dele em apenas um minuto, desde o primeiro segundo de Cidadão Kane você tem a certa ideia que não é mais um filme. Assim que um monologo sobre quem foi Charles Foster Kane se conclui, a história se impõe por si e é levada com tanto preciosismo e dedicação do jornalista, que tem a missão de descobrir o que é "Rosebud", Edmund Cobb tem a importante missão de juntar as peças do quebra cabeças que é a história do homem mais importante daquele tempo. E assim temos um filme grandioso que chega naturalmente à perfeição. Com personagens marcantes e diálogos inesquecíveis. A trilha sonora é quase um personagem, a fotografia é essencial para a trama, pois a todo momento é necessária para a imersão e empatia com o Charles Kane; a direção também é genial, ela eleva os próprios níveis e sempre faz o publico sentir a necessidade de saber o que vai acontecer, mesmo sabendo que o personagem já morreu , pois o suspense muda de foco e passa ser descobrir quem ou o que é "Rosebud".
quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
Arte Contemporânea hoje
O que chamavamos de arte moderna, na verdade, era a arte produzida na primeira metade do seculo XX antes da segunda grande guerra (vários movimentos, com destaque para oito deles). Depois da segunda guerra mundial, passamos a chamar a arte de pós moderna, por falta de um titulo mais conveniente. Nos anos 70 o que se chamava de Arte Contemporânea, na verdade, era a Arte produzida do pós guerra ate os anos que se viviam naquele tempo. Contempórâneo eh qualquer tempo presente. O Renascimento já foi Arte contemporânea, no tempo de Leonardo da Vinci.
Hoje em dia Arte Contemporânea vai da queda do muro de Berlim nos anos 90 até os nossos dias! Eh uma arte globalizada, voltada para a comunicação. A midia que antes era na tela, agora foge pro video, pra qualquer outra plataforma, inclusive parede de rua, o próprio corpo humano, um muro, areia de praia, em qualquer midia ou plataforma se faz arte. Essa Arte desconsidera a Industrialização e absorve o virtual, a internet e a informática. O que importa aqui é o processo artístico e não tanto o objeto. A idéia estando acima da imagem!
Vivemos no seculo XX a era do preto ou branco. Agora vivemos a era dos 50 tons de cinza na Arte, na politica, em tudo!
Mas quais sâo os movimentos da Arte atual dos anos 90 até aqui, mesmo que sua origem remote aos anos 50 e 60?
Street Art, Land Art, Body Art, Arte Povera, Arte Cinética, Minimalismo, Hiperrealismo, Action Painting, Performance Artistica.
sábado, 30 de novembro de 2019
Resenha Solo Star Wars Story por Denison Souza
Muitos fãs criticaram Solo. Os especialistas criticaram Solo. O episódio I também é um filme considerado fraco, no entanto, temos lá a deliciosa corrida de Pods e o espetacular Darth Maul. Então nenhum filme Star Wars está, de todo, perdido. Pelo menos para um fã incondicional como eu.
Quer saber a verdade? Eu gosto de Solo. Não gosto tanto quanto Rogue One, SW episodio III, IV ou o V. Mas, gosto, sim. E sabe por que? Porque é uma história Star Wars.
Único filme sem citar os Jedi (mesmo Rogue One cita os Jedi), não aparece um sabre de luz sequer. Não há luta de sabre. No entanto, é Star Wars. Tanto quanto The Mandalorian é Star Wars, mesmo sem Jedi ou luta de sabre.
O filme tem o objetivo de contar as origens de Han Solo. Começa no planeta industrial de Corellia. O monstro da vez neste filme é Lady Proxima, uma espécie de Jabba feminino. O personagem Moloch - braço direito de Lady Proxima - tem um visual aracnídeo futurista. O filme pode levar várias críticas, mas ninguém pode criticar a indumentária, sempre arrojada e muito criativa. As fardas, por exemplo, das oficiais de Emigração tem corte perfeito. Assim como a indumentária criativa dos Mimbaneses, o povo guerreiro de Mimban, uma roupa que inclui palha e tecidos variados, nas cenas fortes de guerra.
Quanto aos personagens, depois de Han Solo, Qi'Ra e Lando, o sujeito que mais chama a atenção é o Capitão Beckett, antagonista de Solo. Val e Rio, parceiros de Beckett, fazem boas participações também.
Neste filme vislumbramos Chewbacca conhecendo Han Solo, de forma nada civilizada. Um dos momentos nevrálgicos de Solo, é o do roubo da carga em Vandor, o planeta gelado. As cenas do assalto ao trem futurista, de nome Conveyex, bem no estilo faroeste, são recheadas de tiros e explosões que nos remetem mais ao estilo wester espaguete de Star Wars que seu aspecto mais Samurai. Vemos personagens como Val, Beckett e Han, tirando sua roupagem militar e entrando numa vibe cowboy, numa transição bem suave e sutil.
Assim como Rogue One faz ligação com as trilogias tradicionais, com o roubo dos planos da Estrela da Morte, Solo faz sua ligação com as trilogias novas, através dos dados de Solo, que são usados também como simbolos em Last Jedi. Se em Rogue One tudo acontece por causa dos planos da Estrela da Morte, aqui em Solo tudo acontece apenas por causa de uma substância essencial para viagens na velocidade da luz, chamada Coaxium. Essas cargas roubadas do trem continham cases de Coaxium.
Há a gang de Enfys Nest e seus Cloud-Riders (seus cavalos mecânicos), com indumentária que nos remete aos indígenas americanos, tornando o paralelo com os filmes de faroeste mais fiéis ainda. O vilão é Dryden Vos em seu Iate magnífico. Inclusive a oportunidade de apresentar todo tipo de personagens esquisitos é justamente na festa de Dryden Vos. Qi'Ra é a personagem feminina mais gloriosa, de atitudes dúbias e duvidosas; percebe-se, no final, pela sua ligação com Darth Maul, que está mais prá lá que prá cá. No final, nem lá e nem cá tem santo. Todo mundo é pilantra e bandido em Solo. Não se confia em ninguém, como nos filmes Noir. Mesmo sendo um filme considerado fraco, eu gosto de Solo porque ele mostra Han conhecendo Lando Calrissian e vemos ele tomando a Millenium Falcon no final, apostando no jogo de cartas conhecido como Sabacc. Eu sempre imaginei vendo isso!
A missão em Kessel, tendo de enfrentar a Gang dos Pyke, também é um momento crucial do filme. Uma cena bastante recheada de animais e droides diferentes. A legendária navegação de Han, citada na clássica e na nova trilogia, usando a Millenium Falcon, no caótico espaço ao redor do planeta Kessel é mostrada neste filme, com toda a emoção possível. Como posso achar este filme de todo ruim? Eu sempre imaginei vendo isso também!
Quando se trata de tecnologia, o filme tras um speeder da patrulha imperial em Corellia, de design bem quadrado, bem retrô, lembrando que o ocorrido aconteceu antes de Uma Nova Esperança. Os transportes em Corellia sempre tem este design meio anos 70 e 80. O landspeed M-68 que Han foge com Qi'Ra também tem este desenho retrô maravilhoso. Os diretores tomaram o cuidado de atentar ao fato de o desenho não ser mais avançado que os do filme de 1977. A nave usada pela equipe de Becket, a AT-Hauler, também tem um design quadrado e retrô. Mas o desbunde mesmo tecnológico no filme, mesmo mostrando a Millenium Falcon completa, sem faltar um módulo sequer, é o belissimo e suntuoso Star Yacht, pertencente ao criminoso (o vilão do filme) conhecido como Dryden Vos e suas Sharp Edges para atacar os desafetos. Como sempre tem de ter um droide, o droide da vez em Solo é L3-37, primeiro e único droide feminino da Saga, apaixonada por Lando.
O último planeta que aparece no filme é Savareen. Os Savarianos são como o povo indiano, gente simples, pessoas tradicionais e religiosas. É nesse planeta que a gang de Enfys Nest aparece pela segunda e última vez, dessa vez para se juntar aos Savarianos contra Dryden Vos. Depois de toda a aventura, ainda há a luta entre Solo, Qi'Ra e Dryden Vos no suntuoso Iate, onde Qi'Ra surpreende lutando de forma hábil, revelando que não é nada frágil. Na verdade, ela é uma mistura perfeita de Leia e Padmé. Por que? Porque ela é sensual como Padmé e ríspida como Leia. E ainda é guerreira como as duas. E, como se fosse pouco, ainda há um duelo rápido e cru entre Solo e Beckett. Quem disse que o filme é ruim, com tanta coisa legal acontecendo?
por Denison Souza
30 novembro 2019
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
Resenha de Rogue One por Denison Souza
Pela primeira vez um filme Star Wars encaixa perfeitamente em outro. O final de Rogue One cola perfeitamente com Uma Nova Esperança. Considerando que este último foi feito há anos luz lá atrás, é uma façanha deveras ousada.
Eu gosto muito de Rogue One, como todos os fãs de Star Wars.
O filme começa de forma espetacular, apresentando o planeta Lah'Mu, um lugar fora dos territórios Rim, mostrando a familia do cientista Galen Erso, que bolou a ideia de criar uma fragilidade na Estrela da Morte. A força da mulher sentimos aqui já em Lyra Erso, esposa do cientista, que desafia o Império. Quando a Delta Class T 3C do vilão Orson Krennic, um dos melhores vilões de Star Wars (juntamente com Morff Tarkin), desce no planeta, sentimos uma emoção forte, a presença maciça do Império chegando, onde antes só víamos inocência, através da criança Erso.
Uma das novidades aqui neste filme são os Death Troopers (apenas pretos e não preto e branco), com suas luzes verdes. A presença forte de Mon Mothma como lider da resistencia contra a Nova Ordem do Imperador Palpatine é um dos momentos mais emocionantes. Mais emocionante ainda é quando Bail Organa surge da escuridão, como um fantasma do passado! Vieram lágrimas aos olhos. Aliás, cada personagem conhecido que aparecia, era uma nova emoção, desembocando no Governador Tarkin e em Darth Vader.
A heroina central deste filme é Jyn Erso; sem a decisão dela, não existiria acesso ao segredo da Estrela. Ela que forma a equipe Rogue One. Em Imperio Contra Ataca se fala em Rogue Two, como uma continuação à equipe! E, bem, a forma natural que ela vai formando a equipe não é nem um pouco manjado ou corriqueiro como ocorre em filmes similares.
Os personagens interessantes que aparecem em Rogue One são Admiral Raddous, General Merrick e os senadores rebeldes. Aliás, neste filme mesmo as pessoas do lado dos rebeldes são apresentadas como pessoas cruéis e frias, de princípios dúbios, o que, de certa forma, quebra aquela coisa preto no branco dos filmes da trilogia original. Cassian Andor e o General Merrick são os que parecem mais dúbios. Capazes de irem por suas próprias cabeças, adotando uma imagem de anti-heróis. Mas, nenhum personagem ambíguo se compara com Saw Gerrera, o maior anti-herói do filme e de toda a Saga. Mas, as poucas cenas que Darth Vader aparece em Rogue One são de tirar o fôlego; se ele aparecesse mais vezes, iria desfocar os personagens principais. Aliás, é a primeira vez que Darth Vader faz papel de coadjuvante num SW.
Quanto a seção da tecnologia, como sempre tem de ter um droide, o deste filme é o excelente e bem comedido K-2SO, o droide que eu achei mais adulto em Star Wars. A tecnologia é renovada através de naves incríveis, como as U-Wing Gunship, a belissima UT-60D, as X-Wings foram repaginadas para parecerem mais com a de Poe Dameron, um pouco mais sujas e escuras. Outro personagem tecnológico em Rogue One são os tanques de combate que transportam os containers com Cristais Kyber, fonte de força e energia da Estrela da Morte. Essa movimentação em torno dos cristais por parte do Império fez com que os rebeldes desconfiassem que algo estava muito errado e vinha chumbo grosso pela frente! Outros personagens tecnológicos que me chamou atenção neste filme são os TX-225 Occupier, a armadura dos motoristas dos tanques, o Shuttle SW-0608, de onde a tropa rebelde se infiltra no planeta Scarif, os AT-ST, presentes desde O Império Contra-Ataca, volta em Rogue One! Os famosos AT-ATs voltam como AT-ACT com o acréscimo do container levando cristais, o que justifica a broca no seu corpo nos filmes antigos. Os Y-Wing Fighter está no filme e, claro, os Tie Fighters também. Mas, o Tie Striker é nave nova! Estreou neste filme. Os Tie/SK Fighters tambem. Nunca, em nenhum filme SW, a nave Profundity, a maior nave dos rebeldes, menor apenas que o Destroyer Imperial, teve tanta participação em batalha quanto aqui. Outro aparato tecnológico que ressurge aqui é a célebre Estrela da Morte, magistral, magnífica, e em sua melhor forma. O destroyer Devastator está mais agressivo do que os destroyers de outros filmes. E pela primera vez vemos os cientistas responsáveis pela Estrela da Morte, comandados por Galen Erso.
Quanto a fotografia e parte técnica, o incrível neste filme é como a imagem da pelicula, ao decorrer do tempo, vai fazendo o filme parecer ter sido feito nos anos 70, para não ficar tão diferente de seu sucessor (de 1977). Mas este efeito eles só fazem paulatinamente a medida que se aproxima do final da película, próximo da colagem final.
E finalmente vemos de perto a lua Jedha, origem da Ordem Jedi. Uma das melhores batalhas ocorre lá. As cenas de luta e de guerra que ocorre na lua dos Jedi, chamada Jedha, é um dos trechos mais belos do filme inteiro. Na falta de uma cantina, os personagens mais estranhos foram mostrados em Jedha. A milícia de Saw Gerrera também explorou estes personagens estranhos e nos remete ao séquito de Jabba. Outra oportunidade para os criadores de monstros da LucasFilm mostrarem sua criatividade ímpar.
Os outros personagens heróis da equipe Rogue One são o piloto Bodhi Rook (o medroso) e os asiáticos Chirrut Imwe (o cego) e Baze Malbus (o troncudo).
O retorno digital do Governador Tarkin e de Leia Organa jovem foi uma das coisas mais memoráveis de Rogue One! Pela primeira vez um ator, já morto há muitos anos, retorna as telas de cinema, foi o caso do Governador Tarkin e de seu ator Peter Cuching.
As cenas finais de guerra se passa num planeta tropical chamado Scarif. Ponto nevrálgico de todo o filme. A batalha de Scarif é uma das duas ou três melhores batalhas de SW. O esquadrão azul é usado em sua maior extensão. Todos os pilotos de X-Wings estão em campo. Neste filme notamos claramente que os pilotos customizam seus capacetes, criando uma diversidade prepóstera ao Império, onde as roupas se repetem. Missão sem volta. Pela primeira vez, vários heróis sáo mortos ao mesmo tempo, e no mesmo filme, numa história, se nao incluirmos a execução dos Jedi no episódio III.
Com uma concepção artística e fotografia escura e cruel, que só clareia em Scarif, e de beleza impecável, Rogue One segue como uma das obras primas da Saga Star Wars, ao lado dos episódios III, IV e V.
Denison Souza 29 novembro de 2019
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
MAIORES SINFONISTAS DA HISTORIA, SEU TEMPO DE EXECUÇÃO E SUAS ORQUESTRAS, POR DENISON SOUZA
A sinfonia nasceu na escola de Mannheim e seu maior mestre foi Carl Stamitz, que criou 50 sinfonias e, junto com Johann Stamitz, se tornaram os primeiros nomes no gênero.
Haydn superou em tudo os dois. em quantidade de sinfonias, compôs mais sinfonias que qualquer um antes e depois dele: mais de 100. Sua orquestra era clássica como a de Mannheim, sendo acrescentado uma ou outra novidade a depender da peculiaridade da sinfonia. Tempo de execução entre 20 a 30 minutos.
Stravinsky foi o mais criativo no genero. Foi o primeiro a misturar os gêneros sinfonia e música sacra, por exemplo, primeiro a criar uma sinfonia apenas com instrumentos de sopro e criou até sinfonias neoclássicas. Foi o compositor que escreveu sinfonias mais curtas entre todos.
Beethoven foi um dos sinfonistas mais famosos. Suas sinfonias são as mais executadas até hoje. Adicionou apenas mais intrumentos de sopro em relação as orquestras de Haydn e ampliou a dimensão espiritual, ritmica, harmonica e temporal. Substituiu o minueto pelo scherzo de uma vez. A media de tempo é de 30 a 40 min. Mas a sinfonia 9 tem 1h10. Foi o primeiro a adicionar um coro e solistas na orquestra. um Gênio!
Berlioz também é famoso como sinfonista. As orquestras de Berlioz eram gigantes, monumentais, logo depois de Beethoven. e incluia instrumentos inusitados, o tempo de execução tambem é ampliado. 1h30 e por ai vai.
Shostakovich é um dos sinfonistas que mais chama atenção. Primeiro porque compôs mais sinfonias que qualquer um no século XIX: foram 15 ao todo. O normal eram 9 sinfonias, desde Beethoven. Depois porque acrescentou instrumentos que ninguém teve a ideia antes: celesta, xilofone, piano, sinos, grande bateria...ampliando as ideias loucas de Berlioz. Suas sinfonias são na faixa de 1h de duração.
Para mim o maior sinfonista foi Bruckner. Suas sinfonias tinham um efetivo orquestral tradicional clássico ampliado, típico do período romântico, não muito diferente de Beethoven. Apenas incluindo harpas na sinfonia 8, como algo inusitado. Monumentais sinfonias em duração, com mais de uma hora e massas orquestrais pesadas. Bruckner usava a sua orquestra como um órgão gigantesco. Nunca usou coro ou solistas, era um sinfonista tradicional fabuloso.
As sinfonias de Borodin também são famosas. A orquestra é normal. Sem novidades. Mas a sinfonia 2 Epica tem harpa e bateria inclusa. A média é de 30 minutos.
Brahms, Glazunov, Dvorak, Korsakov, Schumann e Mendelsshon tambem criaram sinfonias que são executadas. Eles tem uma orquestra normal, as vezes, acrescentando um triângulo. A média de execução é sempre entre 40 e 50 min.
Quando se fala em sinfonia, Britten também está presente. Compôs sinfonias completamente diferentes umas das outras. Spring Sinfonia parece um ciclo de canção, outra é um requiem sinfonia, outra é bastante simples. Completamente inusitado. Assim como Vaugham Williams, que uma sinfonia difere completamente da outra em efetivos orquestrais e tempo de execução.
Liszt tem seu nome no gênero. Criou duas sinfonias bem estranhas, monumentais e usando literatura como referencia, Dante e Goethe, sempre usou coro e solistas.
Magnard é um sinfonista humilde e simples. Escreveu sinfonias clássicas entre 30 a 40 minutos. Uma jóia. Como também Prokofiev.
Mahler escreveu as maiores sinfonias do mundo. Com efetivos de orquestra que perde apenas para Berlioz e Richard Strauss. Mas em tempo de execução são as mais longas, com coro e solistas em algumas.
Nilsen é tradicional no tempo de execução e na orquestra. Grande nome dentre os sinfonistas. Sibelius vem na mesma linha.
Cezar Franck também é lembrado por causa de uma unica sinfonia, aquele cavalo de troia que é a sinfonia em D. 40 minutos.
Rachmaninov também tem grandes sinfonias com orquestras gigantescas, mas o tempo de execução é normal, entre 40 a 50 minutos. Scriabin vai na mesma linha de Rach.
Albert Roussel é um dos grandes sinfonistas da Historia. Ele é simples como um Mendelsshon ou um Prokofiev.
As sinfonias de Richard Strauss tem a maior orquestra já usada, com um efetivo orquestral absurdo. O maior de todos. Um Wagner na sinfonia. Mas, o tempo de execução de suas sinfonias são apenas de menos de 1h.
Tchaikovsky criou sinfonias famosas. Mas, por incrível que pareça, ele que é megalomaníaco, suas orquestras são normais e o tempo de execução tambem. Media de 35 a 40 min.
Kachaturian compos sinfonias sem anormalidades. Mozart também. Schubert compôs algumas incompletas, mas escreveu um monumento completo: a Nona Sinfonia.
domingo, 25 de agosto de 2019
Vamos brincar de comparar os cinco genios classicos de Viena: Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert e Brahms
Sinfonia
Haydn foi o rei absoluto em seu tempo neste genero. Como ele foi o primeiro grande mestre do genero, nao pode ser comparado a ninguem. Sua colecao eh uma das mais valiosas do repertorio.
Mozart compos muitas sinfonias de ocasiao. As ultimas tres sinfonias sao obras primas. Compos menos da metade da quantidade das sinfonias de Haydn. Umas outras cinco sinfonias sao interessantes.
Schubert compos menos obras primas ainda no genero. A maioria sao obras de ocasiao, italianizadas. Apenas a 8 inacabada e a 9 merecem destaque.
Beethoven inaugurou o limite de 9 sinfonias apenas. Depois dele, a maioria so escreveria nove e pronto. Sua colecao de sinfonias forma um conjunto universalmente celebrado.
Brahms escreveu apenas quatro sinfonias. Um homem de espirito vienense escrever apenas quatro? Sao belissimas e de alto nivel, mas nao formam um conjunto fora de serie como o de Haydn ou Beethoven
sinfonias: Haydn e Beethoven ganham
Bale
A primeira escola de Viena decepciona no genero bale. Haydn, Mozart e Beethoven foram uma tragedia neste genero. Tambem, o bale so ganhou vulto depois da criacao do bale dramatico pelos russos no seculo XIX. Schubert tambem decepciona. E Brahms, avesso a obras com mais de 1h, nunca escreveria um, assim como nao enfrentou escrever oratorios ou operas.
Bale: nenhum ganha
Quarteto de cordas
Haydn nao pode ser comparado de novo. Foi o primeiro genio do genero.
Mozart compos seguindo o modelo de Haydn e compos algumas obras primas, mas sua colecao nao fecha um ciclo como o de haydn.
Schubert compos bastantes quartetos, Mas um punhado eh obra pirma, seguindo uma forma tradicional.
Brahms compos poucos quartetos, apenas para exibir sua linguagem pessoal neste genero,
Beethoven foi o mestre absoluto nos quartetos de cordas, igualando Haydn, superando-o na fase romantica e superando a si mesmo na ultima fase, criando um mundo atemporal. Seus quartetos so foram igualados no seculo XX por Bela bartok.
Quarteto: Haydn e Bethoven ganham
Outras obras de cámara
Trios, quartetos e quintetos com piano, outros instrumentos, sonatas a due, etc.
Nesse genero todos os cinco mestres sao imbativeis! a musica de camara em geral de Schubert eh magnifica, a de Brahms, um espetaculo, a de Beethoven, fora de serie, a de Haydn e Mozart, nem se fala. Todos aqui empatam..
Outras obras de cámara: todos ganham
Lied
A primeira escola de viena eh uma negacao neste genero. Haydn era pessimo, Mozart pior ainda e Beethoven era mais ou menos,
Fica para Schubert o cargo de primeiro genio do genero Lied.
Brahms soube continuar com dignidade a tradicao de Schubert.
Lied: Schubert e Brahms
Quinteto de cordas
Haydn nao chama a atencao aqui. Nem Beethoven.
Schubert escreveu um Quinteto de quase uma hora em C maior, espetacular, herculeo, obra prima maior.
Mozart escreveu Quintetos para cordas magnificos. E Brahms tambem nao fica embaixo.
Quintetos: Mozart, Schubert e Brahms
Concerto
Haydn foi um mestre neste genero. Mozart nem se fala, ainda superior. Criou obras belissimas para todos os instrumentos imaginaveis.
Beethoven dominou tambem os concertos. Brahms nao fica embaixo, Schubert nao escreveu nenhum.
Concerto: Haydn, Mozart, Beethoven, Brahms empatam
Musica Sacra
Haydn foi o maior escritor de musica sacra do seu tempo. Escreveu obras primas em formato oratorio e missas,
Mozart escreveu oratorios sofriveis e missas mais divertidas que serias, com excecao das incompletas Missa em C menor e Requiem.
Beethoven escreveu mal oratorio e uma missa razoavel, mas a sua Missa Solemnis eh um dos pinaculos da musica sacra universal, junto com a Missa em Si menor de Bach,
Schubert escreveu belas missas. Ta dentro,
Brahms, como nao gosta de musicas acima de uma hora, nunca escreveu missas e nem oratorios, portanto seu unico exemplar notavel eh seu Requiem Alemao.
Musica Sacra: Haydn e Schubert
Obra para piano solo (foco em Sonata para piano e Conjunto de Variacoes para piano)
Todos os cinco sao feras e chamam a atencao.
Sendo que Beethoven forma um conjunto um pouco mais notavel e fora de serie que os outros quatro.
Obra para piano solo: Todos empatam, Beethoven se destaca um pouco mais.
Opera
Haydn e Schubert nunca tiveram operas suas no repertorio internacional.
Brahms, por nao gostar de escrever obras longas, acima de uma hora, nunca escreveu opera. Tambem, viu que ano tinha condicoes de competir com Richard Wagner.
Beethoven escreveu apenas uma opera. Com muita dificuldade. Obra prima, mas apenas uma!
Ficou para Mozart o cargo de maior escritor de operas entre os cinco.
Opera: Mozart
Musica para Coro
Nesse aspecto Haydn nao chama tanta a atencao. Mozart chama mais. Beethoven supera Mozart. Schubert empata. Brahms empata tambem.
Musica para coro: Beethoven, Schubert e Brahms ganham
Resultado:
Haydn ganha em 6 generos
Mozart ganha em 5
Beethoven ganha em 6
Schubert ganha em 6
Brahms ganha em 6
sábado, 11 de maio de 2019
PEQUENO COMENTÁRIO SOBRE O PRIMEIRO MOVIMENTO ALLEGRO DO CONCERTO PARA VIOLINO DE SIBELIUS
Não sou fã de concertos, ainda mais de expressões românticas; mas certos concertos tem a seriedade de uma obra de câmara.
O concerto para violino de Sibelius é um desses. Neorromântico e livre por excelência.
Cheio de inovações inusitadas.
Vamos falar como é um allegro inicial de um concerto tradicional.
Temos uma introdução orquestral e em seguida a entrada do violino solando, que seria a exposição, que envolve geralmente dois temas. Um tema e depois o outro.
Depois temos o desenvolvimento. Nesses compassos os dois temas são entrelaçados e a música progride usando os dois temas se desenvolvendo ao longo dos compassos.
No final vem a reexposição onde os dois temas são repetidos, praticamente mudando muito pouco do que foi apresentado na exposição. E antes da coda (que são os compassos finais do movimento), vem uma cadência (que é um recitativo solo do violino); geralmente esta cadência fica há 3/4 do total de tempo do movimento.
Sibelius nem está ai para as regras! No movimento inicial do concerto para violino de Sibelius ele faz tudo de forma diferente, sempre surpreendente e, diria até, anárquica.
De início, não há uma introdução orquestral; as cordas da orquestra entram sussurando em trêmulo como numa sinfonia de Bruckner e o violino já entra com seu primeiro tema em 2/2 de forma incisiva, exótica, cruel. Sendo que a menos de dois minutos do movimento, de forma inusitada e surpreendente surge...uma cadência do violino...mais ou menos aos 1 min e 50 segundos de começada a música...mas, tão brilhante, quanto inesperada...mas como? ela só existe lá no final, 3/4 depois de começada a peça! Aqui, não. Há uma cadência logo no final da exposição do primeiro tema; atitude absolutamente inusitada e inédita.
Como se não bastasse, depois da estranha cadência, surge, aos 2m30seg, o segundo tema, sendo que não tem solo de violino neste tema. O violino se cála e a orquestra fúnebre e assustadora lança o segundo tema tendo como foco os violoncelos e fagotes (que escolha estranha!) no estranhíssimo ritmo de 6/4, isso mesmo: 6/4, e sem participação do violino. Isso eu nunca vi, pelo amor de Deus, senhores!
Dai vem o terceiro tema...aos 3 min e 40 seg mais ou menos, geralmente não há um terceiro tema...neste o violino se lança em seu mais lindo agudo, de expressão altamente romântica, sem ser piegas. Momento belíssimo do movimento, de claras linhas de pureza romântica.
Depois dessa exposição altamente desenvolvida por si só, surge o verdadeiro desenvolvimento mais ou menos aos 4 min e 50. Mas, desenvolvimento de que? Se nem a orquestra e nem o violino retomam os três temas anteriores? Como assim? Isso mesmo, surge uma espécie de "desenvolvimento" com motivos temáticos novos. Uma nova música surge! O movimento entre os 5 min e os 7 minutos se apresenta como se fosse outra música, sem temas reconhecíveis.
E para piorar, a cadência habitual, que deveria surgir um pouco antes da coda - lá quase no final do movimento, surge, do nada, exatamente no meio do movimento de 15 minutos (mais ou menos na marca dos 7 minutos), de forma longa e elegante. Usando o primeiro tema como embrião melódico. Nunca vi uma cadência tão rica e espetacular quanto essa! Ela vai dos 7 min aos 9 min e 30 seg.
A reexposição, que vem logo depois da longa cadência, aos 9 min e 30 seg, adquire relevo inusitado, porque o violino parece improvisar ao absurdo e os três temas são reapresentados de forma demais variada, além do habitual.
E a coda? Meu Deus! A sensacional e inteligente coda começa aos 14 min e 15 seg e aos 14 min e 50 seg (pasme!) chega a um ponto de polirritmo onde as madeiras aceleram a música, enquanto o violino mantém o seu ritmo anterior, criando um efeito inovador e perturbador.
A escrita do violino recusa qualquer virtuosismo vão e se impôe à custa de uma permanente pesquisa da expressão sóbria e cuidadosamente calculada.O concerto como um todo se apresenta de forma rapsódica e livre! Para não dizer: anárquico!
Denison Souza
quarta-feira, 13 de março de 2019
MINHAS EXPERIÊNCIAS EM FRUIÇÃO ARTÍSTICA
A obra de arte mais antiga que já visitei foi a Venus de Winllendorf (Pré-histórico), no museu de historia natural de Viena, em 2014. Tão antigo - mais de 25 mil anos -, que nem em museu de arte está. Visitei um templo neolítico também (Pré-histórico) em Malta, março de 2016. Essas duas foram minhas únicas experiências com obras pré-históricas.
Tive o primeiro contato com obras egípcias no ano de 2006, no Cairo. Em 2005 eu visitei o Louvre, em Paris, mas só vi a esfinge. Não subimos para as salas egipcias. Em 2013, sim, vi a primeira grande exposição egípcia fora do Egito, no Museu Britânico, em Londres. Depois vi com calma as salas egipcias do Louvre, no mesmo ano, 2013, em Paris. E, no ano seguinte, vi as salas egípcias do Museu de Arte de Viena (2014). Todas magníficas. Faltou visitar as obras de Berlim.
Quanto as obras mesopotâmicas, vi pela primeira vez em Londres, em 2013. Impressionou as esculturas e relevos de caça aos leões. Depois, deslumbrado, visitei as salas mesopotâmicas do Louvre, em Paris, no ano de 2016. Rico em Esculturas e pinturas. Foi uma novidade para mim. Muito superior a exposição de Paris em relação a de Londres.
Tive contato com a cultura clássica pela primeira vez em Roma, em 2005. Destaque para o Circo Maximo, Banhos de Caracala, Teatro de Marcelo, Forum Romano, Forum Imperial, Mercado de Trajano, Panteão Romano, Ilha Tiberina, Castelo S. Angelo, Palatino e o Coliseu. Além de muitas estátuas clássicas do tempo dos imperadores, visitando os museus do Vaticano e o Museu Capitolino. Marcou-me ver a original estatua da Loba (com Romulo e Remo) no Museu Capitolino, em Roma, em 2005.
Visitei a arte grega em vários museus pelo mundo afora, inclusive em São Paulo, mas, o que mais me marcou foi a visita aos Museus do Vaticano (2005 e 2015), Museu Britânico (2013) e Louvre (2005, 2013 e 2016). Destaque para o Laocoonte, a Hermafrodita, as Cariátides, Vitoria de Samotracia, Venus de Milo, esculturas de Fídias e relevos do Partenon. Faltou visitar museu grego em Berlim.
Da arte Medieval, tenho experiência de fruição artística tanto com pinturas e basílicas na Itália; esculturas, castelos e catedrais na Espanha; vitrais em catedrais góticas na Espanha, França e Inglaterra; mosaicos bizantinos em Ravenna, Veneza, Istanbul; catedrais românicas por toda a Europa, templos indianos, sinagogas em istanbul, mesquitas turcas, etc.
Giotto apenas visitei seus afrescos em Assis e seu Campanário no centro de Florença. Faltou visitar seus geniais afrescos em Pádua. Dos artistas antigos, Van der Weyden me tirou lágrimas em Madri (2007), vi pela primeira vez Bosch também no Prado, em Madri, já Van Eyck me emocionou em Londres (2013); aliás, a visita ao National Gallery de Londres me proporcionou entrar em contato direto com inúmeras obras primas de diversos períodos da História.
A arte renascentista conheci onde tinha de ser: em Roma e Florença, sobretudo. As obras arquitetônicas de Brunelleschi, entre outros. A primeira obra que vi foi um afresco numa parede na Santa Maria Novella, pintura de Masaccio, em Florença, em 2007. Vi também a arte de Michelângelo (Roma, Florença, Londres e Paris, faltou apenas visitar a Galeria da Academia e a Galleria degli Uffizi, ambas em Florença), Leonardo Da Vinci (Paris e Londres, faltou apenas visitar Ultima Ceia em Milão) e Rafael (Afrescos do Vaticano, obras em museus de Madri, Viena, Paris e Londres, faltou visitar o Uffizi em Florença). Botticelli não cheguei a ver suas obras primas em Florença (Uffizi), mas vi obras no Vaticano e em Madri.
Quanto aos pintores barrocos, vi pela primera vez ao vivo a obra de Caravaggio em Roma, em 2005. Vi as suas obras primas mais conhecidas em igrejas. E toquei em um de seus quadros no Museu Capitolino tambem em Roma. Vi depois outras obras de Caravaggio espalhados pelo mundo afora: Em Salvador (no MAB), Paris, Londres, Madri, Viena...mas nada comparado com o que vi em Roma. Faltou ver suas obras no Uffizi, em Florença.
Vi obras de outros pintores barrocos pela Europa. Rubens, vi a sala com quadros imensos dele no Louvre, Paris, 2013; mas vi outras obras de Rubens em Madri, Viena, Londres. Rembrandt foi o que menos vi obras, porque as maiores obra primas dele está na Holanda e eu nunca fui a esse país. Em compensação, vi as maiores obras primas de Velazquez no museu do Prado, em Madri, em 2007 e repeti em 2016. Além de ver outras obras de Velazquez em Viena, Paris e Londres. Vermeer, de surpresa, vi sua maior obra prima: O Estudio do Artista, em Viena, em 2014. Foi sorte! Não sabia que estava lá. Não me lembro de ter visto outra obra dele. Dentre os escultores barrocos, visitei o Extase de Santa Teresa, de Gian Lorenzo Bernini, em Roma, em 2007.
Em se tratando de Renascença Veneziana, tão negligenciada nos livros de Historia da Arte, Ticiano é um artista veneziano grandioso. Foi o primeiro artista da Historia a ser reconhecido fora de seu país. Percebi sua obra em Londres (2013), Viena (2014), Madri (2007 e 2016) e no Louvre (2005, 2013 e 2016), onde estão suas mais célebres pinturas. Não notei a presença dele em Veneza tanto quanto fora de lá, artista internacional que é. Em Veneza quem me chamou mais a atenção foi a obra de Giorgione e, sobretudo, Tintoretto.
Conheci algumas obras primas de Giorgione na Galeria da Academia de Veneza, em 2014, e Veronese, Bellini, Francesco Guardi, entre outros pintores venezianos.
Os maneiristas conheci em Toledo e Veneza primeiro. Tintoretto me impressionou nesse estilo extraordinário, ao ver sua gigantesca criação pela primeira vez em Veneza (2007). Devo ter visto obras dele em outras cidades, mas, Tintoretto é pra ser visto em Veneza. As suas maiores obras estão na Galeria da Academia de Veneza (vi em 2014), na Grande Scuola de San Rocco (vi em 2007), no Palacio Ducal e na Igreja de La Salute (ambos em 2016).
El Grecco é outro grande pintor maneirista. Visitei muitas de suas obras em Toledo em 2007. Depois tive a oportunidade de ver El Grecco no Museu do Prado, em Madri, e em outros museus, mas, as obras de Toledo não me sairam da cabeça. E dentre os escultores, fiquei deslumbrado com o Rapto da Sabina de Giambologna, em Florença, em 2007. Essa foi a escultura mais estonteante que vi na vida.
Conheci Goya em Madri no ano de 2007; chamou a atenção os retratos reais e a Naja desnuda e a Naja vestida. O Museu do Prado tem suas maiores obras primas. Em junho de 2016, estando em Madri de novo, resolvi explorar mais e ver suas obras mais sombrias. Vi algumas obras do grande pintor romântico no Louvre também.
Os outros românticos conheci no Louvre, em 2005. A sala dedicada a pintura romântica de Delacroix e Gericault no Louvre é marcante. A Balsa da Medusa, de Gericault, foi o primeiro grande quadro que vi na vida. As pinturas neoclássicas mais famosas do mundo também estão nessa sala. Falando em artistas neoclássicos, visitei esculturas do grande italiano Canova em Viena (2014), no museu Correr, em Veneza (março de 2016) e sua obra mais famosa Psiqué, no Louvre, Paris (setembro de 2016).
Dentre os românticos paisagistas, tive um sonho realizado: vi pessoalmente os quadros pastosos de Constable e as maravilhas fluidas de William Turner tanto no National Gallery quanto no Tate Britain, em 2013. E voltei a vê-los juntos no Louvre em 2016, pois visitei a sala espanhola e a sala inglesa contígua.
Os artistas Impressionistas e pós impressionistas conheci primeiramente no Masp, em São Paulo, no começo dos anos 90; me recordo de ter me emocionado com obras de Renoir, Monet, Lautrec, Cezanne, enfim, os impressionistas e pós impressionistas e cheguei a ver algumas obras impressionistas no Museu Thyssen-Bornemisza, em Madri, em 2007. Mas minha grande exploração nesse movimento e período se deu quando visitei o Museu D'Orsay, em Paris, 2016. Ali, sim, entrei em contato com a origem do movimento, visitando obras realistas de Coubert, Millet, entre outros; lá vi obras dos grandes mestres impressionistas, inclusive esculturas belíssimas de Degas (até mesmo a sua famosa Bailarina, que fica em Nova York, mas que estava no D'Orsay, quando eu visitei em 2016) e Gauguin, Cezanne, Van Gogh, Seurat, Signac (este é impressionante demais!), além de esculturas do grande escultor impressionista Rodin; que vi pela primeira vez em Salvador, alguns anos antes.
Dos artistas modernos (século XX) tive experiências magníficas com exposições de Salvador Dalí em Barcelona, Madri, Paris, Salvador (Brasil), etc. Picasso vi no Museu Thyssen-Bornemisza, em Madri, em 2007, mas foi no Regia Sofia que me impactei com suas obras surrealistas, incluindo a célebre Guernica, em 2016. Vi grandes artistas renomados do século XX no Museu Thyssen-Bornemisza e Reina Sofia, em Madri e no National Gallery, em Londres, e me marcou muito ver pessoalmente a força e o poder de um quadro ao vivo pintado por Pollock, no Museu Thyssen-Bornemisza. Não visitei muitos museus de arte do século XX, portanto minhas experiências se resumem a ver quadros cubistas e surrealistas no National Gallery, em Londres e no Reina Sofia e Thyssen, em Madri. E alguma coisa que visitei em Barcelona. Aliás, a arquitetura de Antoni Gaudi foi uma das coisas que mais me marcou em Barcelona.
Ao visitar Buenos Aires a primeira vez, em 2011, visitei o Museu de Belas Artes, mas, infelizmente as salas dedicadas a pintura européia estavam fechadas, mas, tive a sorte de ver, no Malba, o Abaporu, de Tarsila do Amaral, que estava emprestado ao Brasil poucos dias antes e foi válido ver também obras dos mexicanos, como Diego Rivera e Frida Kahlo, além de artistas brasileiros, argentinos, uruguaios e outros da America Latina, enfim...
Basicamente, este é um resumo de tudo que vi em Arte.
terça-feira, 12 de março de 2019
MINHA CAÇA AOS MESTRES DA PINTURA E ESCULTURA
Na minha caça aos mestres da Pintura e Escultura cheguei a uma conclusão de que só há poucos mestres da pintura e escultura disponível em livros dedicados somente a um artista em particular.
Por exemplo, Tintoretto, artista veneziano que nunca teve destaque nem em livros de historia da arte em geral, cuja obra magnífica tive a sorte de conhecer em Veneza em 2005, 2007, 2014, 2015 e 2016, quando consegui um endereço fixo no centro histórico da cidade. Só conseguimos livros que trate dele especificamente em lingua estrangeira: Italiano, sobretudo. Inglês, alemão e francês, claro, pois são povos pesquisadores, interessados em arte. E com muita dificuldade, em espanhol. Nenhum livro em portugues.
São poucos os artistas que estão presentes em coleções individuais de grandes mestres da pintura e escultura. As editoras são unânimes em incluir apenas os seguintes mestres:
Da Renascença: Michelangelo, Bottichelli e Leonardo Da Vinci.
O impressionismo também é valorizado: Monet, Renoir e Degas.
Entre os pós impressionistas, estão sempre presentes: Paul Cezanne, Van Gogh e Lautrec.
Dos românticos apenas Francisco Goya consta.
Entre os artistas barrocos, Rembrandt.
O único mestre antigo (gótico) que está em todas as publicações, sem exceção, é o genial e original Bosch.
E representando o seculo XX, apenas Salvador Dalí está presente em todas as coleções editoriais sobre mestres da pintura e escultura, por todo o mundo, traduzido em todas as linguas possiveis.
Entre os mestres que estão em coleções individuais que aparecem em quase todas as publicações, que inclui a lingua portuguesa, temos:
Caravaggio e Velazquez, que não aparecem em todas as publicações, mas aparecem na maioria delas. Mais dois mestres barrocos para fazer companhia a Rembrandt.
Os dois maiores mestres do século XX também aparecem em algumas publicações, não em todas. Picasso e Matisse.
Estão nesse grupo mestres como Chagall, Manet, Gauguin, Kandinsky (o unico abstrato realmente bem divulgado), Paul Klee e Klint.
Mestres como Rodin são dificeis de achar em portugues, assim como Ticiano, Rafael (por incrível que pareça), Vermeer, Rubens, Balthus, Pissarro, William Turner, muito dificeis. Se procurar pesquisar livros especializados em artistas mais raros ainda, se prepare para entender linguas como o italiano ou o ingles; são o caso de Bellini, Van Eyck, Canova, Tintoretto, Giorgione, Tintoretto, Veronese, Francesco Guardi, entre outros.
Primeiro que os escultores mais populares sao Michelangelo e Rodin. Todos os outros, como Canova, por exemplo, são pouco conhecidos. Mesmo o lado escultor de Degas e Picasso são pouco explorados nos livros.
Lamentável que, diante de tantos artoistas realmente interessantes, os livros e editoras que publicam coleções individuais de mestres da pintura só focalizam mais a Renascença e o Impressionismo, os pintores italianos (exceto Venezianos), os pintores franceses e alguns espanhóis, além de um ou outro de alguns países europeus, como Klint, por exemplo. Criando publicações parecidas com "cartas marcadas", alienando os leitores.
Não tem jeito, enfim, só se conhece Arte indo a Europa e visitando as obras ao vivo e comprando livros em lingua estrangeira, não tem outro jeito. E é o que tenho feito ao longo dos anos.
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