CINEMA, MÚSICA, PINTURA

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Denison Souza, arte-educador, escritor free lancer;

meu trabalho já foi publicado no Jornal do Recôncavo e Correio da Bahia

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Nos tempos do Serialismo

O patrono da Nova Música, todos sabemos, é Arnold Schoenberg, mas, Anton Webern é o grande herói do Serialismo, aquele que apontou o caminho da Nova Era. A incrível organização de Webern, sua lógica e pureza musical acabaram se tornando uma torrente que levou com ela toda a vanguarda internacional. Música abstrata, matemática, que evitava as armadilhas do romantismo. Mas, nada surge do nada! Um dos mestres que foram a força seminal aos olhos da nova escola de Viena foi Edgar Varèse. Ele rompeu com todo o passado na música. Sua obra Ionisation de 1931 rompeu com esta tradição. Sua música hoje está esquecida, menos esta obra, pois se tornou base para o serialismo. Nessa obra foi provado que era possível escrever música sem melodia, harmonia ou contraponto. _____________________________________________ Depois da segunda grande guerra, mestres como Messiaen, Boulez, Stockhausen e Milton Babbitt buscaram superar Varèse criando linhas diferenciadas. Eles seguiram de onde Webern parou. Para os mestres serialistas foi Webern e não Schoenberg quem levou a arte musical para seus extremo lógico cruel. A música de Webern, apesar da brevidade, está cheia de dados e contém uma polifonia rica, típica dos flamengos renascentistas. Messiaen surge depois de Webern, numa busca de serializar outros elementos além de notas e alturas. Criou uma música rica, individual, mística e muito ligada à Natureza. Muitos mestres como Stravinsky e Penderecki usaram técnicas serialistas em obras completas ou trechos em seu corpo de opus. Mas, Stockhausen se provou o mais prolífico e inventivo neste sentido. _______________________________________________ Depois de três décadas de pompas do serialismo, tudo se acabou num último fraco suspiro. Depois de anos de polêmica e sucesso, somente algumas obras serialistas de Alban Berg ainda se mantém no repertório internacional: sua suite lirica, a ópera Lulu e o concerto para violino a um Anjo. O único compositor que fez parte dos primórdios do Serialismo e que tem chances de se manter no repertório é justamente Messiaen, hoje em dia, pela sua linguagem sincera musical, mesmo usando o serialismo - algo tão difícil para o noviço - como linguagem musical. Texto: Denison Rosario

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