CINEMA, MÚSICA, PINTURA

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Denison Souza, arte-educador, escritor free lancer;

meu trabalho já foi publicado no Jornal do Recôncavo e Correio da Bahia

terça-feira, 1 de novembro de 2011

É chique ser pobre

Essa é de meu colega Professor Fidel:

O MITO DA NOSSA CAVERNA 
Tempos passados vivíamos no Brasil o romantismo da pobreza, travestida de cultura ou o estigma de uma classe. Os pobres eram lembrados em canções que faziam apologia à vida simples dos morros e favelas e imortalizadas, em letra e música, no cancioneiro nacional como Barracão de zinco, Ave Maria no morro, Saudosa maloca, Trem das onze e algumas outras. Nesse ínterim, as elites, no comando dos poderes públicos, “entendiam” que os pobres eram felizes em seu “status quo” e cuidavam de extrair-lhes, sorrateiramente, o voto e os serviços pouco ou nada qualificados, dando-lhes o falso sentimento de valorização e elevada auto-estima pelo simples contato com detentores de poder político, social e financeiro. Viviam na caverna, contemplando sombras sem perceber o quanto eram explorados e nem o mundo de luzes que havia lá fora. Desconheciam as oportunidades de acesso a uma educação de qualidade, por exemplo, que lhes capacitassem a ir além da necessária “assinatura” na folha de votação. Finalmente, o desenvolvimento social e tecnológico iluminou a caverna e de lá saíram, atônitos e encantados, como neo-alforriados, ávidos por inserção num mundo novo. Mas, como num passado mais remoto, não tinham estrutura para se inserirem no mundo legal e se apropriarem, dignamente, de tantos recursos e possibilidades, são, agora, cooptados pelo crime. De forma semelhante, as modernas tecnologias, lideradas pela internet e recursos computacionais, revelam que vivíamos em cavernas, onde a força que movia o mundo vinha do vigor físico (hoje a cargo das máquinas) e dos recursos financeiros.
Deslumbrados com tantas opções e possibilidades inexistentes no passado, questionamos: como a humanidade conseguiu sobreviver por tanto tempo sem os recursos, confortos e conveniências da pós-modernidade? Como a espécie humana sobreviveu e ainda sobrevive, em regiões remotas, sem água tratada, rede de esgotos, coleta regular de lixo e sua devida destinação; sem os avanços da medicina; sem o poder da mídia e dos recursos computacionais? Por outro lado, refletindo razoavelmente sobre a contemporaneidade, numa leitura crítica do nosso entorno social amplo, perguntaríamos: até onde e por quanto tempo a humanidade vai resistir às guerras tecnológicas; às várias formas de poluição; à incoerência do ser humano e sua incompatibilidade com seu semelhante? Até quando resistirá à ferocidade do capitalismo selvagem que supervaloriza o ter em detrimento do ser (humano), sob os auspícios das tecnologias, quando inapropriadamente aplicadas? Assumimos o risco de, egressos da caverna de Platão, adentrarmos a caverna dos gênios das tecnologias e vivermos nas sombras dos nossos valores mais nobres.
A polêmica se acirra porque as tecnologias, como a própria existência, repousam sobre valores ambivalentes, potencializando possibilidades para todos os propósitos. No plano temporal, tudo fica na dependência do único ser pensante: o homem. Estabelece-se, então o dilema: qual lado está aplicando “melhor” os avanços tecnológicos? Valeu a pena sair da caverna?
Diante de tantas considerações possíveis de serem levantadas, fica a esperança de que as tecnologias avancem e, paralelamente, o homem se re-humanize para usá-las para o bem. Para coibir a corrupção e o crime; para potencializar os processos de aprendizagem e melhorar a educação; para estimular o diálogo numa dimensão universal; para que a família reassuma seu relevante papel na sociedade e para que Deus permei a mente e o coração dos seres humanos.

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