CINEMA, MÚSICA, PINTURA

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Denison Souza, arte-educador, escritor free lancer;

meu trabalho já foi publicado no Jornal do Recôncavo e Correio da Bahia

quarta-feira, 4 de maio de 2011

SOBRE O DEEP PURPLE

Entre a Sagrada Trindade do Heavy Metal: Sabbath, Zeppelin e Purple, considero o Deep Purple a melhor banda. O trunfo do Zeppelin talvez seja nunca ter mudado a formação inicial e sua performance ao vivo e o do Sabbath, a identidade heavy mais definida, mais purista. O Deep Purple vence pela qualidade instrumental dos seus discos de estúdio. A banda passou por diversas mudanças de formação, além de um hiato de oito anos (1976-84). As formações do período 1968-76 foram comumente chamadas de Mark I, II, III e IV. Sua segunda formação, a mais bem-sucedida comercialmente, contou com Ian Gillan (vocal), Ritchie Blackmore (guitarra), Jon Lord (teclado), Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria). Esta formação esteve em atividade de 1969 a 1973, e foi reunida de 1984 a 1989 e, brevemente, em 1993, antes que as rixas entre Blackmore e os outros membros da banda se tornassem intransponíveis.
Jon Lord e Ian Paice foram os únicos integrantes que sempre estiveram presentes na banda em todas as fases. Mas, Don Airey substituiu Jon Lord nos teclados em 2002, fazendo de Ian Paice o único integrante que nunca saiu.
Os melhores discos da banda contam com os músicos Lord, Paice e Blackmore, como integrantes fixos, com exceção de Come Taste the Band, que é muito bom, e é sem Blackmore. Isso é interessante porque faz da banda a única da Tríade onde o vocalista não é a peça mais importante, mas, os músicos. A importância de Ozzy e Robert Plant são cruciais nas suas respectivas bandas, no Purple não ocorre isso. A marca da banda sempre foi a mistura de guitarra e teclado, com riffs simples e fortes e solos vigorosos. Sua canção mais conhecida é Smoke on the Water, gravada em 1972.

Fase inicial:

O primeiro disco, Shades of Deep Purple, com Rod Evans nos vocais, foi lançado em setembro de 1968. Recheado de regravações (incluindo versões progressivas de Help, dos Beatles, e Hey Joe, de Jimi Hendrix), o disco estourou nas paradas de sucesso dos EUA com uma música de Joe South: Hush, o primeiro single da banda. No disco já vemos todos os elementos musicais da banda. As viagens instrumentais – duelos entre teclados e guitarra - de Mandrake Root e And The Address já é bem a cara do Purple. Em I’m so Glad temos uma introdução demorada dos teclados, como em Lazy, anos depois. Eu gosto deste disco, mas, ainda é imaturo. Nota 7

O segundo disco: Em dezembro do mesmo ano, quando o segundo disco The Book of Taliesyn já havia sido lançado, eles fizeram sua primeira turnê na América, acompanhando o Cream. Apesar de estiloso no cantar, Rod Evans nunca foi lembrado como um vocalista importante do Purple. Só marcou Gillan e Coverdale. Também com regravações: River Deep, Mountain High (sucesso na voz de Tina Turner), We Can Work it Out (Beatles) e Kentucky Woman (Neil Diamond). A composição Wring That Neck sobreviveu, no setlist do grupo, à extinção da formação no ano seguinte. Foi o veículo de algumas das mais inspiradas trocas de solos entre Blackmore e Lord. Nota 6

O terceiro disco lançado na Inglaterra quando a nova formação, com Ian Gillan, com sua proposta sonora mais ousada, estreou. O primeiro vocalista da banda não dava gritos de banshee e não estava acompanhando o desenvolvimento dos outros integrantes da banda. Jon Lord também estava finalizando seu Concerto for Group & Orchestra; na verdade, este último mais uma realização de Lord do que da banda. Nota 6.

Nova Fase, In Rock, chegada de Gillan e Glover - Gritos

Nesse período, além de mostrarem o novo tipo de composição idealizado por Lord (unindo as linguagens da música erudita e do rock), os ingleses de todas as classes sociais conheceram Child in Time, composta ainda em Hanwell. A composição mostra tudo o que a nova formação trazia de novo em relação à anterior: mudanças de ritmo, solos poderosos, gritos de banshee e risadas diabólicas. O novo Deep Purple era elétrico e explosivo, e isso ficaria muito claro no primeiro disco da nova formação - In Rock, lançado em abril de 1970. Os ingleses puderam conhecer faixa por faixa do novo disco via BBC durante os vários meses que levaram ao lançamento. Conheceram inclusive faixas inéditas, como Jam Stew, e uma versão primitiva de Speed King chamada Kneel and Pray. Esta faixa de abertura já mostra um início confuso, explosivo, uma explosão como entrada....depois fica só o teclado com seu timbre leve...e então, entra o maravilhoso rock Speed King, uma maravilha do Deep Purple. O Hard rock surge daí. Nesta faixa os diálogos entre teclados e guitarras continuam forte. Belo début da voz de Gillan. A faixa seguinte Bloodsucker confirma a tradição heavy de associação com sangue. Um belo rock’n’roll...uma das faixas que eu mais gosto da banda. Child in Child é a música que mais chama a atenção pela complexidade. Esse é um disco de lado B muito bom. Adoro rocks quadrados e sem freios como Flight of the Rat (com frases e solos belíssimos de guitarra), Into The Fire – que eu adoro – e o quase heavy metal Hard Lovin Man (essa canção me lembra Jimi Hendrix na voz de Gillan, não fosse os gritos estridentes). Black Night é single desse tempo. Um sucesso. Que bateria maravilhosa...essa banda é uma farra mesmo...uma festa do bom rock’n’roll. Nota 10

Fireball, mais experimental

O segundo disco da Fase II foi Fireball, que mantém a eletricidade, mas, envereda por um caminho mais experimental. Até um country ("Anyone's Daughter") o disco inclui, ao lado de longos instrumentais como os de "Fools", músicas experimentais como “The Mule” e rocks mais próximos dos que havia no disco anterior, como "Strange Kind of Woman". A faixa de abertura “Fireball” mostra uma bateria furiosa e um entrosamento extraordinário. Há músicas levemente suingadas como “No no no”, e há mesmo uma deliciosa balada (quase um blues), sem ser meloso, no estilo Deep Purple, com um suingue bem legal: “Demons Eyes”. Os duelos entre os teclados e a guitarra estão impecáveis. Este disco é muito bom. Cruel mesmo...exemplo disso é a visceral e ritmada “No One Came”. Os shows da turnê de 1971, disponíveis apenas em gravações piratas, mostram uma banda mais madura e mais ousada. É nessa turnê que Ian Gillan começa a fazer duelos de sua voz com a guitarra de Blackmore, por exemplo. Nota 8.

Smoke on the Water & Machine Head, o melhor da banda

A gravação de Machine Head foi na Suiça. Talvez o melhor disco de todos os tempos da banda, com sua música mais famosa “Smoke on the Water”. A história inteira da gravação é contada em poucas palavras na música, a última a ser gravada no disco. Blackmore havia criado um riff que não fora usado. Não havia letra. Então veio a ideia de escrever sobre o que acontecera na gravação do disco. Gillan afirma que eles estavam num bar quando Roger Glover escreveu num guardanapo o título da música (que significava "fumaça sobre a água", uma boa descrição da fotografia que um jornal publicou no dia seguinte ao incêndio). Glover diz que a expressão lhe surgiu em um sonho e que Gillan lhe respondeu: "não vai rolar; parece nome de música sobre drogas, mas nós somos uma banda que bebe". O disco é quase todo tocado nos shows da banda desde então. “Highway Star” e “Lazy” também são marcos. Na verdade, o disco todo é impecável! O disco com melhor mixagem, som e entrosamento da banda. Nota 10

Who Do We Think, o mais negligenciado

O ano de 1972 é movimentadíssimo, e nele o Deep Purple chegou pela primeira vez ao Japão, onde foi gravado seu mais famoso disco ao vivo, Made in Japan; com esta formação, é um dos melhores AO VIVO de todos os tempos. Na Itália, o grupo também preparava a gravação de Who Do We Think We Are. Um ótimo disco negligenciado pelos fãs. Tem um belo hit: Woman from Tokio, presente em todos os setlists da banda. Canção com um recheio psicodélico no centro. Rocks deliciosos suingados como Mary Long, a deliciosa e riffada Super Trouper, com sua bateria de efeito, e outros presentes delicioso como Smooth Dancer, a misteriosa e gritada Rat Bat Blue...são canções maravilhosas...uma festa...que fazem o nome do Deep Purple e que eu adoro. O delicioso blues Place in Line dá um sal no tempero. O disco acaba bem com a boa e tranquila Our Lady. Grande disco sem temas ou riffs famosos. O ritmo de trabalho da banda, porém, custou caro a eles. Nota 9.

Terceira Fase, sem Gillan e Glover, mais suingada ainda: Burn

O primeiro novo integrante recrutado para o Deep Purple, logo após o fim da Fase II, foi o baixista Glenn Hughes, que cantava e tocava baixo no Trapeze. A dupla habilidade empolgou Blackmore e Lord, mas ele não seria deixado sozinho nos vocais. Enquanto seguia a busca pelo novo vocalista, o guitarrista Blackmore e Hughes iam se conhecendo e tocando juntos. O que se tornaria o blues "Mistreated", sem a letra, foi composto nessa época. A hipótese de tocar o grupo com apenas quatro membros foi cogitada, mas a ideia de ter dois vocalistas falou mais alto. Ai surgiu David Coverdale. Em 9 de setembro, o novo grupo se trancou por duas semanas no Castelo de Clearwell para compor. Empolgadíssimo, Coverdale escreveu quatro letras diferentes para a música que seria "Burn". Em novembro, foi gravado o disco Burn, novamente em Montreux, com a mesma unidade móvel dos Rolling Stones com que foi gravado Machine Head. A nova equipe estrearia no palco em 8 de dezembro, na Dinamarca. Era a estreia da Fase III do Deep Purple. O disco só sairia em 1974. É o melhor disco dessa formação. O novo som era marcado pela maior velocidade e técnica de Blackmore na guitarra e pela tensão entre os dois cantores. No estúdio, os duetos eram perfeitos. No palco, Hughes punha a trabalhar toda a potência de seus pulmões sempre que podia, muitas vezes chegando a intimidar Coverdale. O baixista e cantor também acrescentou à receita do Deep Purple uma boa pitada de tempero funky - que Blackmore aceitou inicialmente a contragosto, por entender que apesar de este estilo estar nas paradas de sucesso da época, não fazia parte, até então, dos elementos constitutivos do som do Deep Purple. Made in Europe, marca o melhor desempenho ao vivo e Burn, o melhor de estúdio dessa formação. O disco é todo bom. Nota 10.

Stormbringer, uma recaída

A terceira formação do Deep Purple acabaria um ano depois de California Jam, em 7 de abril de 1975, uma semana antes de Blackmore completar 30 anos de idade. Era a turnê de lançamento do disco Stormbringer na Europa. Com ainda mais balanço funk, o disco desagradou bastante a Blackmore. Metade do disco é bom. Há as boas Hold On, a rapidinha Lady Double Dealer e a funkyada High Ball Shooter, uma festa, além da canção que dá título ao disco, que eu considero a melhor canção do Purple. O resto do disco eu acho fraco. É um disco desigual. Nota 7.

Sem Blackmore - Come Taste the Band, o mais suingado de todos, muito bom

Blackmore já tinha algumas ideias na cabeça, e ao sair já tinha uma nova banda formada: o Rainbow. Decidiram continuar, convidando o guitarrista Tommy Bolin, o primeiro norte-americano a fazer parte do grupo. Com essa formação (Fase IV), gravam Come Taste the Band, ainda mais suingado. A turnê é complicada, um tanto devido aos problemas de Bolin e Hughes com drogas. Mas, é um disco delicioso. Sem quase ninguém da banda original, a banda não perde sua linguagem.Os slides de Bolin e a pegada especial nas cordas do baixo de Hughes dão um gosto diferente e revigorante no tempero da banda. O disco é todo delicioso e suingado. Uma festa. Nota 10.

Retorno fraco em 1984

Perfect Strangers é um disco moderno, bem anos 80, ruim, mas, marca o retorno da formação mais famosa do Deep Purple. Eu, particularmente, não gosto. Nota 4.

Purpendicular e Morse

Façamos justiça à banda. os melhores discos são dos anos 70, mas, com Steve Morse, em 1996, a banda se revitaliza e volta com um disco bom: Purpendicular, com baladas deliciosas, pesadas e hards bem no estilo Purple, trazendo novos elementos, porém valorizando os desafios entre guitarras e órgão que criou a identidade da banda.
Nota 8.

Nota 4: Perfect Strangers;
Nota 6: The Book of Taliesyn; D Purple III.
Nota 7: Shades of DP; Stormbringer;
Nota 8: Fireball; Purpendicular;
Nota 9: Who Do We Think We Are;
Nota 10: In Rock; Machine Head; Burn; Come Taste the Band;

Discografia – Só os melhores:
• Fase I
o Shades of Deep Purple, Setembro, 1968 Nota 6
o The Book of Taliesyn, Dezembro, 1968 Nota 6
o Deep Purple , Novembro, 1969 Nota 6
• Fase II - A
o In Rock, Junho, 1970 Nota 10
o Fireball, Setembro, 1971 Nota 8
o Machine Head, Março, 1972 Nota 10
o Who Do We Think We Are, Fevereiro, 1973 Nota 9
• Fase III
o Burn, Fevereiro, 1974 Nota 10
o Stormbringer, Dezembro, 1974 Nota 7
• Fase IV
o Come Taste the Band, Outubro, 1975 Nota 10

Melhores formações do Deep Purple
Fase I "MK I"
(1968-1969) • Rod Evans - vocais
• Ritchie Blackmore - guitarra
• Jon Lord - teclado
• Nick Simper - baixo
• Ian Paice - bateria

Fase II "MK II"
(1969-1973) • Ian Gillan - vocais
• Ritchie Blackmore - guitarra
• Jon Lord - teclado
• Roger Glover - baixo
• Ian Paice - bateria

Fase III "MK III"
(1973-1975) • David Coverdale - vocais
• Ritchie Blackmore - guitarra
• Jon Lord - teclado
• Glenn Hughes - baixo,vocais
• Ian Paice - bateria

Fase IV "MK IV"
(1975-1976) • David Coverdale - vocais
• Tommy Bolin - guitarra
• Jon Lord - teclado
• Glenn Hughes - baixo,vocais
• Ian Paice - bateria

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