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CINEMA, MÚSICA, PINTURA

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Denison Souza, arte-educador, escritor free lancer;

meu trabalho já foi publicado no Jornal do Recôncavo e Correio da Bahia

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sobre Poulenc

Sobre Poulenc Um amigo colocou na sua lista de grandes compositores, ao lado de gigantes, como Beethoven, Bach, Debussy e Wagner, um mestre chamado Poulenc. Isso me despertou a atenção. Resolvi pesquisar mais sua música e olhar mais sua vida e cheguei a conclusão de que uma pessoa que vê Poulenc como grande não entende a história da música francesa. Sabemos que junto com a Itália, Alemanha, Austria e Inglaterra, a França tem uma história longa de grandes compositores desde a escola de Notre-Dame, passando por Berlioz e Bizet, até chegar ao século XIX e XX. Entre o século XIX e XX a França foi representada por várias "escolas". Neste período o mais influente artista independente (influenciou Debussy, Ravel, Poulenc, Honnegger, todo mundo) foi Éric Alfred Leslie Satie. No fim da vida Satie reuniu, em torno de sua personalidade misógena, colaboradores e músicos, criando a Escola de Arcueil [École d´Arcueil]. Dentre eles fazia parte quatro músicos talentosíssimos: Henri Cliquet-Pleyel, Roger Desormière, Maxime Jacob e Henri Sauguet. Você não tem idéia o quanto Sauguet é um grande compositor tão bom quanto Poulenc. A França, além desses compositores maravilhosos ainda deu, através de Cocteau (ainda sob influência de Satie), o Grupo dos Seis. Dos Seis, apenas três vingaram: Honnegger, Milhaud e Poulenc. Desde que eu me entendo como gente, ninguém ousou dizer que nenhum desses três um fosse superior ao outro, mas, que eram superiores aos outros três: Auric, Durey e Tailleferre. Poulenc é músico da estatura levemente superior a de Roussel, mas, abaixo de Ravel. E olhe que Roussel foi considerado tão grande quanto Ravel na época, quanto a hoje…risos. Prá piorar, além dessas "escolas", ainda havia a Escola de Paris formada por artistas estrangeiros que se fixaram em Paris. Gênios medianos, do nível de Poulenc, tipo Mihalovici, Tansman, Tcherepnin, além de Martinu, Harsanyi e Lazlo Lajtha. Além dessas três "escolas" tinha os independentes, imagine: compositores do quilate de um Ibert, que escreveu de tudo, muita coisa, musica sacra, sinfonias, concertos, tudo…obra de gênio…pesquise…tem George Migot, muito mais severo e sério que Poulenc. As obras religiosas de um Manuel Rosenthal são muito mais relevantes que o Gloria de Poulenc. Além de Jean Rivier, Maurice Duruflé (o Requiem desse cara é o diabo), Lily Boulanger, que infelizmente morreu muito novo, mas, deixou obras primas como seus tres salmos, cuja escrita é pessoal e muito forte…se tivesse vivido metade da vida de Poulenc seria mais conhecido hoje. Um gênio. Henry Barraud, que eu considero uma espécie de Haydn francês do século XIX…cara, é tanta gente, que não sei, não…fique em sua área que é melhor... Pois bem, Poulenc escreveu canções tão boas quanto Fauré e Debussy, Ponto prá ele. Sua música se divide entre a fase muleque e a fase monge. A fase monge (religiosa) é boa, mas, você compararia com a obra sacra de Stravinsky? Eu, não. A música de câmara de Poulenc é agradabilíssima, cheia de charme e estilo, melodias maravilhosas e revela talento, mas, não sei se é um Bartók. Não, não é. Então, pode-se curtir a música de Poulenc, que escrevia ao gosto da alta sociedade fútil da época, mas, nunca compará-lo aos gigantes. Bati o martelo!

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