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CINEMA, MÚSICA, PINTURA

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Denison Souza, arte-educador, escritor free lancer;

meu trabalho já foi publicado no Jornal do Recôncavo e Correio da Bahia

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Antonio Vivaldi por Denison Souza 2018


Famoso pelos seus concertos para violino, muita coisa boa dele fica sem conhecimento do grande publico. Exemplo, muita gente não tem acesso a música de câmara de Vivaldi. Ele compôs maravilhosas sonatas para violino e sonatas para cello. E muita música boa envolvendo três ou quatro instrumentos ao modo do concerto grosso. 

O seu op. 1 é composto de trio sonatas, mas o mestre rosso ainda está imaturo aqui e nada faz além de Corelli. Com exceção das duas últimas peças. 

Mas no Op. 2 ele já nos revela sonatas maravilhosas e com fervor dignos do op. 3 Lestro Armonico ou das Quatro Estações. O op. 5 já revela sonatas menos inflamadas, com uma certa reserva em se tratando de Vivaldi, porque foram compostas para o povo do Norte, anglo-saxão, que pouco gosta de musica com fervor italianizado. Não podemos nos esquecer que o único exemplar de tema e variações de Vivaldi está aqui nessa área de câmara: a sonata XII "Folia" do Op. 1. Os trios sonatas de Vivaldi são uma parte importante que precisa ser levado em conta pelo apreciador sério do mestre veneziano. 

Seus concertos de câmara, chambers concertos, sonatas para instrumentos solo e para dois ou mais, são muito bons. Adoro ver a variedade dos timbres. A mistura inusitadas, por exemplo, de oboé com flauta doce. Sua música de câmara é dominada pelos instrumentos de sopro. Mas, sem dúvidas, as obras camerísticas de Vivaldi mais admiradas e tocadas são suas seis sonatas para cello composta em Paris, em 1740. É preciso ter em mente que sua música de câmara foi escrita para o entretenimento privado, tranquilo, dos connoisseurs, não para o efeito público espetacular e imediato, como os seus concertos, para impressionar em grande escala. 
Ainda no âmbito seleto da música de câmara, não é justo deixarmos de fora suas belas sonatas para flauta e baixo continuo, e ainda no universo camerístico, no caso aqui, envolvendo a voz humana, gostaria de destacar as cantatas de Vivaldi. Maravilhosa intimidade entre voz (sempre feminina) solo e baixo contínuo, as vezes, com algum outro instrumento acompanhando a voz.

Vivaldi compôs muito e em vários gêneros. Suas serenatas, com várias vozes, incluindo coro, também são palatáveis e pouco conhecidas, destacando aqui a Serenata a tré e a épica serenata La Senna Festeggiante, e que são até mais agradáveis que suas óperas. Aliás, sua melhor ópera não é exatamente uma ópera. Escute essa maravilha para coro e solistas diversos: Juditha Triumphans; essa obra magnifica e gigantesca  merece, assim como o Requiem de Verdi, ser considerada a melhor "ópera" de Vivaldi. Na verdade, esse oratório (único inteiro que sobrou do mestre rosso), é a sua maior obra prima vocal. Superando em complexidade e artimanhas suas obras sacras mais famosas, como o Gloria, o Stabat Mater ou seus motetos. Aliás, é gratificante saber que seus 12 motetos com solistas estão começando a entrar no repertório de concerto mundial. Adoro esses motetos de Vivaldi, uma das coisas mais gratificantes de ouvir do período.
Quanto aos concertos, gostaria de acrescentar, que é preciso conhecer obras como o Concerto Ripieno RV 114, os concertos La Cetra e La Stravaganza, a obra prima (que lembra os concertos de Brandemburgo de Bach) o concerto de câmara para vários instrumentos em Gm RV 107; do op. 11 eu destaco apenas o concerto n.2 conhecido por Il Favorito. É muito importante dar atenção aos Double concertos de Vivaldi; aqui temos peças magníficas e ricas em timbres. Considere que foram 45 concertos para dois instrumentos compostos contra 329 concertos com um solista. Considerando este universo dos concertos, os de câmara, com vários instrumentos, mas sem orquestra, são os mais incríveis e inusitados de Vivaldi. Seus concertos para flauta op. 10, os concertos para flauta doce e os concertos para bandolim e sua música concertista incluindo o violão na execução moderna (alaúde antigo) são obras para serem pesquisadas. Estão entre as peças mais prazerosas do padre italiano. 

Não podemos nos esquecer dos famosos e espetaculares concertos para Cello, além, claro, dos famosos concertos para violino, seu ponto mais conhecido. Dentro dessa área do concerto para violino o Lestro Armonico op. 3 ganha de disparada. São doze concertos e cada um impressiona mais que o outro. Concordo que as quatro estações são mais famosas e tão bem feitas quanto, mas dos doze concertos do conjunto intitulado Il cimento dell"armonia e dell"inventione apenas os quatro primeiro entraram no repertório. Lestro Armonico, não. É a única coleção de Vivaldi que se toca na íntegra e é respeitada na íntegra. 

Obras raras: Tem obras pouco conhecidas de Vivaldi que eu acho maravilhoso descobrir. Tem um concerto para dois cravos e baixo continuo que eu acho um espetáculo, RV 517. 
Ainda na área orquestral, Vivaldi compôs 60 sinfonias e ajudou a entregar o produto quase pronto para o período clássico da música fazer o que quisesse. 

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