CINEMA, MÚSICA, PINTURA

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Denison Souza, arte-educador, escritor free lancer;

meu trabalho já foi publicado no Jornal do Recôncavo e Correio da Bahia

sábado, 16 de abril de 2011

As obras da Música Elaborada que mais me impressionaram e 20 anos depois continuam me impressionando

Ravel:
O Concerto para Piano escrito apenas para a mão esquerda – para um oficial que perdera a mão direita na Grande Guerra - é a obra que mais me impressionou dentre todas as maravilhas musicais de Maurice Ravel. É uma gigantesca obra-prima do século XX. Outra peça orquestral notável é La Valse. Mas, em dimensão e grandiosidade, a coisa mais linda e complexa que Ravel já compôs foi Dafnis e Cloé, síntese de toda uma evolução raveliana. Seu Quarteto para Cordas em F maior também é uma obra emblemática; outra síntese de evolução - no caso aqui - em música de câmara. É um quarteto especial que me marcou muito. Outras obras de Ravel que me impressionaram são para piano: Gaspard de La Nuit e seu Piano Trio. Seu famoso Bolero é uma experiência orquestral um tanto quanto peculiar e notável.

Debussy:
Foi na música de câmara minha primeira abordagem impressionista. Ouvi na casa de um amigo a Sonata para Violino e Piano de Debussy e aquilo me pegou pela alma. A linguagem peculiar, habitando um mundo paralelo diferente do nosso, típica do Impressionismo, me deixou uma marca indelével. Há outras obras também impressionantes para piano solo, dos quais destaco Clair de Lune, Arabesque n.1 e La Plus que Lente. Na verdade, o universo pianístico de Debussy é delicioso, tanto quanto seu universo orquestral, coisa rara num compositor. Aliás, este mestre foi o único francês a desbancar a hegemonia alemã na música e superou Berlioz, o mestre maior da França até então; dessa forma, Debussy tornou-se, no difícil século XX, o maior compositor da França de todos os tempos. Marcou-me o balé Jeux e sua criação orquestral La Mer, talvez, sua obra mais madura; uma espetacular sinfonia velada, onde todos os truques e magias debussystas são apresentados de forma generosa e integral. O ambiente marinho nos é apresentado sinfonicamente por um amante do mar. Não me esqueço da perplexidade ao ouvir Syrinx, para flauta solo, pela primeira vez. Entretanto, é uma obra orquestral – e não de câmara - que me convenceu de sua genialidade fora do normal: Prelúdio para a Tarde de um Fauno, o marco inicial e um dos ápices de sua literatura. Claro que Debussy escreveu outras obras interessantes, mas, destaco nesta lista apenas as que mais me marcaram.

Stravinsky:
Este mestre russo que passou pela fase impressionista, classicista e serialista revela muitas facetas com individualidade. Gosto de todas as suas fases, mas, o que fez me apaixonar pela música de Stravinsky foi a Cantata Les Noces. Outra obra que me impressionou a ponto de cair o queixo foi Trehni, também para coro e solistas; ambas as obras construídas sob influência da Segunda Escola de Viena. Seus célebres Balés e Sinfonias são o que Stravinsky tem de mais sério e genial. Além disso, o mestre russo escreveu muita música descontraída, de grande inventividade timbrística, de uma beleza sincera e pura, como A História do Soldado, por exemplo, uma de suas obras que eu elejo dentre as favoritas.

Chopin:
Nada me contenta mais na música romântica destinada ao piano do que as quatro Baladas de Chopin. Do universo poético deste grande artista vale destacar os Prelúdios, os Estudos, os Noturnos, as Valsas, as Polonaises, sobretudo a gigantesca Polonaise-Fantasia op. 61. Mas, nada se compara com os 4 Scherzos e as 4 Baladas.

Mozart:
Este é o maior compositor do período clássico. Pior para Haydn, que foi um gênio, mas, ofuscado, de certa forma, pelo muito mais brilhante Mozart. E Beethoven, para se destacar, precisou superar o universo classicista para não ser esmagado pelo reinado de Mozart. Mas, por que Mozart é tão respeitado assim? Por causa da variedade de gêneros que abordou de forma genial. É o único, junto com Beethoven, que construiu obras notáveis em mais de cinco gêneros. Os outros se destacam em um ou dois gêneros. No máximo, três. Todas as obras mozartianas, em qualquer gênero, são belíssimas. Algumas ligeiras, outras mais elaboradas e algumas até mesmo sérias. As mais elaboradas me chamam mais atenção. Eu sempre coloquei a Grande Missa em C menor como a mais deliciosa obra de Mozart. Desde 2002 tenho pensado diferente; tenho percebido que a genialidade de Mozart está mais impressa em seus seis Quintetos para Cordas que vai do K174 ao K614. Outra obra no gênero quinteto que me assombrou foi o extraordinário Quinteto para Clarineta e Cordas K581. O Divertimento K563 também é uma obra assombrosa (o verbo é esse mesmo...Mozart me assombra! Sua música é divina); o divertimento é outro gênero que ele domina. Além dessas obras de câmara, o que mais me impressionou na música de Mozart foram os Concertos para piano n.20, n.21 “Elvira Madigan” e o de n.24, para mim, o mais assombroso; também as Sinfonias de n.29, n.35 “Haffner”, n.39, n.40 e n.41 “Jupiter”; a Missa da Coroação; a Sinfonia Concertante em Eb maior; e as Óperas Don Giovanni e A Flauta Mágica.

Beethoven:
Muita coisa me impressionou. A começar pelo Concerto Tríplice, que nem música é; parece uma suntuosa ponte ou um imponente arranha-céu. Outra obra gigantesca deste grande compositor é a Sonata para Violino e Piano “Kreutzer”; me diga o que é aquilo? Um gênero que poderia ser visto como menor, pequeno e leve, Beethoven o eleva às alturas da Arte Maior. O que Haydn fez com o gênero Sinfonia, elevando-o às alturas da arte filosófica, Beethoven o fez com as sonatas a due. As Sonatas para Cello e Piano também retratam poder e glória. Todas elas! E, como se não bastasse, de uma forma sem precedentes, o fez com a Sonata para Piano solo; a coleção de Beethoven neste gênero é um corpus artístico dos mais gloriosos da Humanidade. Em primeiro lugar, a Sonata para Piano “Hammerklavier”, mas, há outras sonatas que marcam a vida de qualquer um: as sonatas “Waldstein”, “Tempestade” e “Appassionata”. Como se não bastasse, ainda há as três últimas Sonatas, das quais, a op.111 é a coroa. Obras de uma genialidade sem precedentes. As aberturas orquestrais “Egmont” e Leonore n.3” são inesquecíveis. Os dois Trios op.70 e o Trio op.97 “Arquiduque” também são obras que me impressionaram muito. Não podemos nos esquecer dos Concertos para Piano de n.3 (o meu predileto) e de n.5 (o mais suntuoso). Quero destacar a beleza única de obras como os Quartetos “Razumovsky” e a Sonata para Piano e Violino Op.24 “Primavera”. Veja quantos gêneros Beethoven domina! Outro pináculo que assusta pela genialidade é a Missa Solemnis. Não podemos nos esquecer da sua única Ópera Fidélio. Das Sinfonias, destaco a Terceira, a Quinta, a Sexta, a Sétima e a Nona. Todas são únicas, geniais e incomparáveis. Os elogios não cabem aqui. Beethoven escreveu outros Everest´s, verdadeiros e eternos pináculos da Música Ocidental; são eles: As Variações Diabelli, a Grande Fuga para Quartetos de Cordas, as Bagatelas op.126 e os Quartetos para Cordas da fase final, que muitos consideram sua obra mais hermética e pessoal.

Bach:
Cheguei a uma conclusão em relação a Bach: o que me impressiona mesmo nele são seus concertos e sonatas a due. Claro que sua música coral é gloriosa, são obras sacras perfeitas, escritas de forma celestial. Mas, é na música instrumental que Bach conseguiu sintetizar a escola barroca. Sua música destinada para instrumento solo é de grande interesse para músicos e especialistas...é música um tanto científica e de grande inteligência, mas, nada me impressiona mais que os concertos e sonatas a due. Bach se tornou tão grande, que se alguém se interessar em estudar o período barroco na música, Bach se basta...não é preciso pesquisar mais nada. Ele resume tudo! Impressionei-me com a descontração de todas as suas Sonatas para Violino e Cravo, com o Concerto para dois Violinos em D menor, com todos os seus Concertos para Teclado e, sobretudo, com os Concertos de Brandenburgo. Aquilo não é música; aquilo é uma fábrica de tecido intelectual, rico em tramas e trançados. É um sério bordado musical sem precedentes na música barroca. Genial!

Haendel:
Haendel é muito menor que Bach. Mas, depois de Bach, talvez seja o maior compositor barroco. A verdade é que a obra coral de Haendel é mais acessível e divertida do que a de Bach. Quem não se impressionou com Acis and Galatea, de Haendel? E o Oratório O Messias, então, nem se fala. E o Concerto Grosso n.12, op.6? Essas três obras, apesar de seus oratórios e óperas esplêndidas, foram o que mais me marcaram em Haendel nesses 20 anos de música erudita.

Monteverdi:
Não são tanto suas óperas, nem a obra sacra, mas, o que mais me impressiona em Monteverdi são seus livros de Madrigais.

Vivaldi:
A afirmação de que o padre rosso repetiu o mesmo concerto mil vezes está certa, sim, mas, há que se fazer justiça com este revolucionário italiano. Há concertos de Vivaldi que deixam marcas. São espetaculares. Seja para piccolo, para flauta, bandolim, trompete, oboé ou cello...tudo é marcante e bonito como Veneza. Mas, alguns merecem destaque especial: Os concertos para flauta op.10, por exemplo, são diferenciados. Outro destaque é o Concerto para Piccolo RV443. Dentre os concertos para violino se destaca L’Estro Armonico op.3 e as célebres, mas, nunca enjoativas As Quatro Estações RV269. Fora os concertos, sua música sacra é também deliciosa, donde destaco seu Stabat Mater, o Glória, o Magnificat em G menor RV610, os Motetos, o maravilhoso Dixit Dominus e sua obra-prima sacra não litúrgica Juditha Triumphans.

Brahms:
Há obras de Brahms que eu idolatro e outras que eu não sinto mais vontade de ouvir. Quanto às obras que idolatro para todo o sempre estão todos os seus concertos: os dois Concertos para Piano, o Concerto Duplo e o Concerto para Violino. Neste gênero, Brahms se revela todo suntuoso, poderoso e glorioso. Qualquer que seja sua crença ou gosto, escute esses concertos; é o que há de mais suntuoso e intelectual na vida. Eu simplesmente ignoro as suas sinfonias, mas, estes concertos são o que ele tem de melhor. Além dos concertos, idolatro sua Rapsódia para Contralto, o Requiem Alemão, o Trio com Trompa op.40 e o excelente Quinteto op.111, a minha predileta em música de câmara. O resto é um trecho bom aqui, outro trecho chato ali...na verdade, Brahms não conseguiu transcender o classicismo de Mozart ou Beethoven, como Bach fez com a música barroca e Wagner fez com a música romântica, mas, essas obras em destaque são maravilhas do repertório mundial.

Bruckner:
As sinfonias deste compositor austríaco me marcaram muito pela personalidade, peso, densidade e poder. Destaco as Sinfonias n.4, n.7, n.8 e n.9.
Tchaikovsky:
Considero Tchaikovsky um compositor de terceiro escalão. Mas, é impressionante a feitura do Concerto n.1 para piano. Fiquei de queixo caído. Os Balés de Tchaikovsky são um clássico, mas, suas Sinfonias n.4, n.5 e n.6 são mais notórias.

Mendelssohn:
É outro compositor de terceiro escalão, mas, o célebre Concerto para Violino e a Abertura Hébridas merecem uma exceção. São magníficas.

Béla Bartók:
A música de Bartók é bonita e difícil. Seus quartetos são célebres, mas, não vejo dentre suas melhores obras (ainda!). Quatro obras do mestre Bartók me tiraram do sério – obras de primeira linha: seus Concertos n.2 e n.3 para piano, sua Sonata para dois Pianos e Percussão e, a mais maravilhosa delas, a Música para Cordas, Percussão e Celesta.

Mussorgsky:
Eu nunca me impressionei pelos Quadros de uma Exposição quanto pelas suas Canções e Danças da Morte ou pela Ópera Boris Godunov. A obra lírica do mestre russo me impressionou mais do que sua música instrumental.

Dvorak:
Não sou adepto da música dos tchecos ou nascidos na antiga Boêmia, muito menos da música de Dvorak, mas, seu Stabat Mater é o mais belo que já ouvi e me impressiona a cada audição.

Henze:
O Requiem de Henze, artista genial nascido depois da Primeira Grande Guerra, é uma das obras mais belas e marcantes do mundo contemporâneo.

Obras vocais extraordinárias:
As óperas de Wagner, Bizet e Richard Strauss me marcaram. A Walquíria, Tristão & Isolda, Parsifal, Pescadores de Pérolas, Carmen, Salomé e Elektra. A música de Bizet é mais deliciosa que todas as outras, a de Strauss é mais deliciosa que a de Wagner, este é mais genial.
A Deutsche Sinfonie e o Ciclo de Canções Hollywood Songbook, do compositor Eisler, são obras que me solicitam inúmeras audições prazerosas. É música do mais alto nível do século XX. Marcaram-me também as canções e obras vocais de Chausson, Schoenberg, Britten, Webern e Finzi.

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