CINEMA, MÚSICA, PINTURA

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Denison Souza, arte-educador, escritor free lancer;

meu trabalho já foi publicado no Jornal do Recôncavo e Correio da Bahia

domingo, 3 de dezembro de 2017

Debussy por Denison Souza 2017


Debussy foi o compositor que derrubou a hegemonia alemã na música e colocou Paris, de novo, como centro internacional da música. Ele escreveu 141 obras. Seu registro de obras não é intitulado Opus, mas, L. Vai do L 1 ao L 141. 
A obra de Debussy pode-se dividir em três fases:

Fase impressionista –
Vai da primeira obra L 1 Ballade à La lune, de 1879 e vai até L 97, a obra Lindaraja para dois pianos, de 1901 e da ópera Pelleas et Melisande L 88, que levou de 1893 a 1902 para ser terminada. 
Caracteriza-se pelo confronto com a música de Wagner e dos compositores contemporâneos russos e franceses. Inclui sua peça característica do impressionismo Prelude a après midi dun faune , a cantata L enfant prodigue, a excelente e pouco conhecida La demoiselle élue, com solistas e coro feminino, uma obra prima fenomenal. A fase finaliza com chave de ouro com a ópera Pelleas et  Melisande. Essa fase é muito marcada pelas inúmeras canções. Debussy é um compositor, sobretudo, da voz humana. Mas há uma obra de câmara nessa fase inicial: seu Trio com Piano de 1879. Só quem conhece são os especialistas em Debussy. Outras obras características dessa fase são a Beau soir, Printemps para coro feminino e orquestra, Hymnis para solistas e coro, a excelente e pouco conhecida Le Gladiateur, Ariettes oubliées para voz e piano, os famosos poemas de Charles Baudelaire, os dois Arabescos para piano, a Valsa Romântica, a ópera Rodrigue et Chimene do século XIX (quem disse que Debussy só escreveu uma ópera?), Suite Bergamasque;  na música de câmara, além do Trio piano, é dessa época o Quarteto para cordas, que foge completamente do estilo tradicional. Os famosos Noturnos para orquestra, Pour Le piano e Chansons de Bilitis. Para mim, as obras fundamentais dessa época são as citadas acima. Com destaque para Preludes...faune, Pelleas et Melissande e La demoiselles élue.


Fase Experimentalista –
A segunda fase é marcada por uma pesquisa ampliada em termos de timbres e tons. Envolve obras refinadíssimas e muito bem elaboradas, de difícil acesso: como Estampes, Le diable dans Le beffroi, obra prima que levou de 1902 a 1911 para ser terminada; é dessa fase uma obra de Debussy pouco conhecida que é a maravilhosa Rapsódia para saxofone e orquestra, as canções Fetes Galantes, Masque, Lisle joyeuse para piano,sua única sinfonia disfarçada La Mer, Images I e II, La chute de La Maison Usher, Children Corner para piano, o primeiro  livro dos Prelúdios, La plus que Lente e esta fase termina com o segundo livro dos Prelúdios L 123. Essa fase vai de 1902 até 1913. Todas essas obras citadas acima são de fundamental importância para conhecer essa fase experimentalista de Debussy.

Fase Hermética  -
Assim como Monet, que de simples impressionista, evoluiu em sua fase final para um impressionismo hermético, misterioso, diria até abstrato, Debussy, no final de sua vida, criou uma obra ainda mais nebulosa, estranha, mística e misteriosa. De muito difícil acesso.
Faz parte dessa fase obras de leitura prolixa como o Martírio de São Sebastião, que é do ano de 1911, mas, que não faz parte da fase anterior. É obra difícil dessa nova fase final. É dessa fase o ballet inacessível Jeaux, Não é pra qualquer um aquilo. Não se vende, nem se grava muito esse tipo de música do outro mundo. Os intelectuais Poemas de Stephane Mallarmé para voz e piano, Syrinx para flauta solo, uma obra muito misteriosa, Seis epigramas antigos, o estrambótico Cello Sonata, obra de câmara que mais amo de Debussy, os incríveis e difíceis Estudos para piano, a Sonata para flauta, viola e harpa, a famosa Sonata para Violino e Piano e sua última obra L 141 Ode a La France, para soprano, coro e orquestra. Obras de fundamental importância, além de algumas canções e ciclos de canções.
 

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